Acelen otimiza refinaria comprada da Petrobras e vira líder em parafina

Acelen otimiza refinaria comprada da Petrobras e vira líder em parafina

Denise Luna

01 de julho de 2022 | 05h15

Acelen assumiu Refinaria de Mataripe em dezembro Foto: Juarez Cavalcanti/Petrobras

Em apenas sete meses, a Acelen, controladora da única refinaria privada de grande porte do País, a Refinaria de Mataripe, na Bahia, aumentou em 200% sua produção de parafina, para 85 mil toneladas ao ano. O volume coloca a unidade como a maior fabricante na América Latina, responsável por 22% do mercado. “E isso sem qualquer incremento de capacidade”, segundo executivos da empresa.

“É a mesma planta que a gente assumiu da Petrobras. A produção maior de parafina não foi por expansão da unidade, mas pela retomada de confiabilidade operacional e estabilidade operativa da planta, conseguidas apenas com melhorias de manutenção”, afirmou o gerente Comercial Produtos Especiais, Angelo Cozzolino.

Além da produção de vela, a parafina é usada em vários segmentos, inclusive na indústria de petróleo em terra, para não contaminar o solo. É também fundamental na indústria de compensados de madeira, para aglutinação; na impermeabilização de caixas de papelão; embalagem de alimentos; cosméticos; pneus; e produtos como sabões, detergentes etc.

Empresa investe R$ 500 milhões em manutenção

A Acelen assumiu a Refinaria de Mataripe em dezembro do ano passado, a primeira e única privatizada de oito unidades colocadas à venda pela Petrobras em 2019. Depois de passar às mãos da iniciativa privada, a unidade passou de um Fator de Utilização (Fut) de 65% para 97%, e deve aumentar ainda mais até o primeiro semestre de 2023, após conclusão dos serviços de manutenção iniciados em abril de 2022. A empresa está investindo R$ 500 milhões na manutenção de 11 das 26 unidades da planta, que será concluído em abril do ano que vem, e que possibilitou o aumento da produção de parafina.

Outro fator fundamental, segundo os executivos, é o acesso ao petróleo produzido no Recôncavo Baiano, o melhor para a produção de parafina no País. A Petrobras continua na operação de Mataripe por um período de transição, e ainda é responsável pela intermediação da compra de petróleo dos produtores em terra da Bahia para a Acelen.

Oferta global de parafina caiu, mas demanda não cedeu

“Temos a vantagem do petróleo baiano na mão, enquanto a Reduc tem que importar da Arábia Saudita para produção de parafinas e lubrificantes”, informou Cozzolino, referindo-se à segunda colocada do mercado de parafina no Brasil, a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, da Petrobras.

“A gente tem uma característica favorável na Bahia, o nosso petróleo é bastante parafínico, e uma parafina de excelente qualidade, que faz uma vela mais branca”, completou Rodrigo Vivarelli, gerente de Produtos Especiais da Acelen.

Segundo ele, no mundo inteiro, a produção de parafina é atrelada às unidades de lubrificantes. Com o aumento dos investimentos em lubrificantes mais limpos, mais claros, com poucos contaminantes, houve queda na oferta de parafina no mercado global, mas a demanda não cedeu, o que elevou o preço do produto. “Hoje, dentro do processo de refino é o que traz as melhores margens”, disse Vivarelli.

Refinaria produziu gás propano especial pela primeira vez

Da Refinaria de Mataripe saem até 80% de toda a parafina fabricada no País. A produção é vendida para países da América Latina, Europa e para os Estados Unidos, mas sempre com prioridade para o mercado brasileiro. Em um mês, as cerca de 4 mil toneladas produzidas atualmente são suficientes para fabricar 160 milhões de velas, de acordo com os executivos.

O aumento na produção de parafina não foi a única novidade trazida pela nova participante do mercado brasileiro. Em abril deste ano, a refinaria produziu, pela primeira vez em 70 anos de funcionamento, o gás propano especial para aerossóis. Um mês após iniciar a comercialização, a Acelen já está atendendo 15% desse mercado. A meta da empresa é passar a ter 30% do market share nacional do propano especial nos próximos anos. Esse segmento, atualmente, é abastecido, principalmente, por Argentina e Bolívia.

Considerada uma das mais versáteis do parque de refino brasileiro, pelo leque de oportunidades para ampliar seu portfólio, Mataripe vem trabalhando em novos produtos para o mercado, e em breve deve anunciar novidades para o agronegócio, segundo os executivos.

“A Refmat (Mataripe) se destaca por ser uma das mais ecléticas entre as refinarias, temos várias possibilidades para fazer produtos especiais como os voltados para indústria farmacêutica, para o mercado de polímeros, de borracha. Agora estamos trabalhando em novos produtos, alguns para o ramo de agronegócio e para a indústria e geral”, disse Vivarelli.

 

Este texto foi publicado no Broadcast  no dia 29/06/22, às 14h09

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