Acordo com UE deixa cooperativa do PR otimista

Coluna do Broadcast

08 de julho de 2019 | 05h00

O holandês Thomas Domhoff, CEO da Castrolanda, cooperativa de Castro, no Paraná, não faz rodeios quando analisa o acordo entre Mercosul e União Europeia, que saiu do papel depois de 20 anos: “Chega na hora certa”, diz. No caso brasileiro, afirma, permitirá ampliar as exportações de carne suína ao bloco, reforçando uma alternativa de mercado, hoje concentrado na China. Por causa da peste suína africana, os chineses abateram ao menos 30% do seu plantel, o que abriu grande oportunidade ao Brasil. Mas Domhoff pondera que em cinco anos a China deve superar o problema. Até lá, o Brasil terá conquistado a confiança dos europeus. “Quando a China recuperar a autossuficiência em carne suína, teremos relacionamento efetivo com a Europa e possibilidade de aumentar as exportações”, acredita o CEO. O acordo prevê, em seis anos, cota de 25 mil toneladas do Mercosul para a Europa e vice-versa. Além da produção de carne suína, a Castrolanda atua também nos segmentos agrícola, lácteo e de cerveja.

Ganha-ganha

O executivo afasta o risco de concorrência entre Europa e China, pois chineses demandam essencialmente miúdos. Para o consumidor do Brasil, haverá vantagens: a maior concorrência com cortes nobres importados da Europa, que tende a reduzir o preço do produto em geral, e a importação de maquinário europeu, que ajudará a elevar a qualidade dos alimentos.

Mais óleo

O acordo entre União Europeia e Mercosul também deve trazer benefícios para o Brasil em óleo de soja. Estudo da consultoria INTL FCStone destaca que, quando o tratado entrar em vigor, serão abolidas as tarifas para exportação de óleos vegetais do Mercosul para a UE. Segundo a FCStone, a Europa já é destino de mais da metade das exportações brasileiras de óleo de soja, e esse volume vai crescer. Em 2018, o País exportou 760,7 mil toneladas do produto aos europeus.

De fibra

O acordo também cria oportunidades para a indústria têxtil brasileira conquistar espaço no mercado europeu, em especial com artigos de confecção, segundo a FCStone. As tarifas sobre têxteis do Mercosul devem ser eliminadas até quatro anos após o acordo entrar em vigor.

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