Adiamentos e disputa de preços mostram fila de IPOs despencando

Cynthia Decloedt

08 de abril de 2021 | 12h31

A primeira semana de precificação de ofertas de ações em bolsa da segunda janela do ano mostra um cenário adverso ao previsto há alguns meses, depois de um recorde de mais de R$ 30 bilhões em IPOs (oferta inicial de ações) e follow-ons (ofertas secundárias) nos meses de janeiro e fevereiro. Já são dois adiamentos – LG Informática e Blau e muita disputa em torno de preço naquelas que estão sendo levadas adiante. O re-IPO da Diagnósticos da América (Dasa), que se esperava um enorme sucesso, acabou saindo com as ações abaixo do menor valor esperado para a oferta, que também teve seu montante cortado. Houve um deságio de cerca de 10% em relação ao piso da faixa de preço estabelecida pela empresa, mesmo depois de a família Bueno adquirir R$ 500 milhões para ancorar o preço. Apesar de estar em um dos setores mais sexys do momento, a Dasa captou ao final R$ 3,3 bilhões.  A expectativa inicial era de que fosse alcançado algo próximo a R$ 5 bilhões.

De caçador à caça. Já o processo de precificação do IPO da Allied Informática, controlada pela gestora norte-americana Advent, está se arrastando desde ontem, data para a qual estava marcado o fechamento da operação. Para seguir com a operação em pé, a oferta será reduzida de R$ 500 milhões para pouco mais de R$ 200 milhões e será será somente primária – ou seja, não haverá a tranche secundária para a venda da participação do fundo na empresa. Além de não vender, estaria na mesa a possibilidade de a Advent comprar ações na oferta. A estratégia seria vender parte da posição que tem na empresa depois, por meio de um follow-on, em momento melhor de mercado.

Bau bau. Também em saúde, a Blau decidiu postergar seu IPO para a próxima semana. A companhia vai retirar a oferta secundária – a parte dos acionistas a ser vendida. Também vai reduzir o montante de papéis da primária, aquela cujo dinheiro vai ao caixa da empresa. A oferta no total, conforme o prospecto preliminar, seria de R$ 2,1 bilhões, considerando R$ 1,5 bilhão da emissão primária e R$ 640 milhões da secundária. A fabricante de preservativos e medicamentos tenta chegar na bolsa desde 2018.

Ruidolândia. Desde o fim de fevereiro, várias notícias têm prejudicado o mercado Entre elas, a interferência direta do governo nas estatais, a aceleração da pandemia, a vacinação lenta e confusa, além das incertezas com a articulação das reformas em meio ao descontrole fiscal.  Os investidores temem entrar em novas ofertas sem entender direito como será o comportamento da bolsa e como a turbulência pode impactar em suas carteiras. Essa falta de previsibilidade faz com que eles acabem pedindo mais desconto nas novas ofertas, especialmente, quanto existem ações de setores correlatos negociadas mais baratas na bolsa.

Saúde. Outras três ofertas da área de saúde estão sendo levadas adiante. As redes de hospitais Mater Dei e Care Caledônia esperam levantar R$ 1,9 bilhão e R$ 790 milhões, respectivamente. A Viveo, distribuidora de produtos médicos, lançou sua oferta com a ideia de captar  R$ 1,996 bilhão.

Segura o tchan. Alguns estrategistas diziam que esta segunda janela de ofertas do ano poderia decepcionar, em relação ao volume recorde de operações visto em janeiro e fevereiro. Há estimativas que sugerem menos de 15 ofertas, contra as 40 em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 07/04/2021 às 18:58

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