Operadora de shoppings ‘entrega’ lojista para Magalu, Amazon & cia para faturar mais

Operadora de shoppings ‘entrega’ lojista para Magalu, Amazon & cia para faturar mais

Circe Bonatelli

13 de junho de 2020 | 05h30

São Paulo, 13/06/2020 – A Gazit Brasil, filial de uma das líderes mundiais do mercado de shopping centers, a Gazit Globe, vai pagar para que seus lojistas se conectem a portais consagrados de vendas online, como Magalu, Amazon, Americanas e Submarino, entre outras.

Apesar de incomum, esta “terceirização” dos lojistas foi a saída mais rápida e barata encontrada pelo grupo para encorpar as vendas, que despencaram quando os centros de compras tiveram que ser fechados durante a quarentena. Mesmo com a reabertura gradual nas próximas semanas, o movimento está longe de voltar ao normal.

A estratégia da Gazit toma um rumo distinto do escolhido pelas principais operadoras nacionais de shopping centers, como BRMalls, Multiplan, Iguatemi, JHSF e CCP, entre outras. Estes grupos gastaram, cada, algumas dezenas de milhões de reais nos últimos meses para desenvolver plataformas próprias de vendas online, capazes de reunir os produtos dos seus lojistas num lugar só.

Já a Gazit prevê gastar cerca de R$ 100 mil nesta operação que envolverá até 1.500 lojistas dos seis shoppings que administra, entre os quais estão o Top Center (na Avenida Paulista), o Shopping Light, da foto abaixo, (no centro de São Paulo) e o Morumbi Town (no bairro Morumbi).

Shopping Light, no centro de São Paulo, é um dos seis empreendimentos do portfólio da Gazit Brasil. Crédito da Foto: JOÃO ALVAREZ/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Shopping Light, no centro de São Paulo, é um dos empreendimentos do portfólio da Gazit Brasil. Crédito da Foto: João Alvarez / Foto Arena/ Estadão Conteúdo

“Em vez de brigar de frente com Amazon ou Magalu, trabalharemos em parceria com eles no comércio eletrônico, unindo forças de uma maneira mais inteligente e com menos custos”, conta o diretor operacional da Gazit Brasil, Sérgio Koffes. “Nós somos bons em administrar os shoppings. Então, deixamos a plataforma para quem realmente tem know-how e grande visibilidade nas vendas online”.

O executivo pondera que a estratégia adotada pelos concorrentes seria muito custosa para a Gazit Brasil. “Somos uma empresa enxuta. Para montar e operar um site próprio de vendas, teríamos que duplicar nosso número de funcionários”, projeta Koffes.

Gazit vai conectar lojistas a marketplaces

Neste modelo, o papel da Gazit será de organizar o encaminhamento dos lojistas aos marketplaces (como são chamados os sites que reúnem mercadorias de diferentes lojistas). Ao todo, há 31 markeplaces disponíveis para o varejista, que pode escolher em quais vai atuar. Cada plataforma cobra um porcentual diferente sobre as vendas, assim como acontece, por exemplo, nos aplicativos de entrega de comida.

A Gazit vai oferecer uma consultoria para seleção das plataformas e vai pagar os custos de integração dos sistemas de vendas e gestão de estoques físicos e online de cada varejista, que é a etapa mais cara do processo. O lojista só vai pagar a mensalidade de uso da plataforma.

Os produtos poderão ser encontrados nos próprios sites de Magalu, Amazon, Americanas e outros, além do site dos próprios shoppings da Gazit, onde serão montadas ‘vitrines virtuais’. Ao clicar sobre o produto, porém, o consumidor será redirecionado para o devido marketplace.

Em contrapartida, a Gazit espera aumentar as vendas dos lojistas, o que vai se transformar em mais dinheiro no seu bolso. No setor de shoppings, os operadoras dos empreendimentos cobram um valor fixo de aluguel mais um valor que acompanha o volume de vendas.

“Nós continuamos conseguindo fazer o tracking das vendas. Não é uma venda perdida do shopping para o ambiente online. E ainda ganhamos uma vitrine virtual no site, a um custo baixo”, observa o gerente de marketing da Gazit, Rhuann Destro.

Futuro dos shopping centers será mais digital

O projeto foi iniciado há uma semana, e a previsão é que as primeiras operações estejam rodando em julho. O foco são os lojistas de pequeno e médio porte (a maioria não têm sites próprios de vendas) com atuação nas áreas de vestuário, calçados, acessórios, eletroeletrônicos, perfumes, artigos de casa, bomboniere, entre outros. Se der certo, a Gazit Brasil vai dividir sua experiência com a matriz, que opera mais de 100 shoppings ao redor do mundo.
Questionados se esta estratégia de digitalização não representaria um ‘tiro no pé’ dos próprios shoppings, que estariam perdendo clientes para o mundo virtual, os executivos negam. A ideia, segundo eles, é atender os clientes de todas as formas. Enquanto as pessoas não voltam a passear nos shoppings, a oferta de vendas online ajuda a manter os shoppings nas vidas dessas pessoas, justificam.

“O mercado é muito inovador e criativo, vai sempre buscar novas soluções. Não dá para simplesmente esperar a crise passar”, alega Destro. “Se o novo consumidor evita de ir ao shopping, então estaremos presentes no ambiente digital também, para garantir uma boa experiência”, afirma.

Contato: circe.bonatelli@estadao.com

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