Adquirentes irão ao Cade contra compra da Linx pela Stone

Fernanda Guimarães e André Italo Rocha

16 de setembro de 2020 | 05h35

Concorrentes de meios de pagamento devem se unir para questionarem junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a oferta da Stone pela Linx. Caso a compra seja concretizada, dizem, a Stone poderá impor barreiras à concorrência, sobretudo no pequeno varejo, no qual a Linx chega a ter 50% de participação de mercado em alguns segmentos. Segundo elas, poderá haver também venda casada de produtos. Antes de dar aval a uma operação como essa, o regulador costuma ouvir terceiros interessados. A Stone tem dito que sua proposta terá caminho livre junto ao Cade e, inclusive, já se muniu de documentos elaborados por especialista de que a compra da Linx pela Totvs teria chance de ser barrada, por risco de concentração.

Cérebro. Por trás da disputa, está a inteligência nos pagamentos. Depois que as maquininhas tornaram-se commodities, o pulo do gato no setor é tentar conquistar a administração do negócio de quem faz as vendas. É o software que oferece a Linx – e que vem sendo disputado a tapa por Stone e Totvs.

Outro lado. Procurada, a Stone disse que sua plataforma aberta permite ao cliente optar por quais serviços vai utilizar, podendo combinar os oferecidos pela Stone com os de outros prestadores. A empresa ainda citou um parecer de Afonso Arinos, ex-conselheiro do Cade, para afirmar que a aquisição não gera concentração horizontal ou vertical. “Os aspectos de conglomeração (portfólio) tampouco criam incentivos para condutas de venda casada tendo em vista a inexistência de poder de monopólio e a impossibilidade da exclusão de concorrentes em mercados competitivos. Conclui-se que a operação só poderia gerar ganhos de eficiência, apropriáveis pelas partes e pelo consumidor, associados às potencialidades de criação de novos produtos com novas funcionalidades complementares para o consumidor pela combinação de conhecimentos e competências tecnológicas”, diz o parecer. A Stone disse ainda que softwares de gestão não são insumo para pagamentos e nem o contrário. Procurada também, a Linx não se manifestou até o fechamento desta nota.

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