Voltado à aviação executiva, aeroporto de luxo cresce na crise e recebe investimentos da JHSF

Voltado à aviação executiva, aeroporto de luxo cresce na crise e recebe investimentos da JHSF

Cristian Favaro

01 de junho de 2020 | 12h42

São Paulo Catarina Aeroporto (SPCA), o empreendimento da JHSF tem capacidade para 200 mil pousos e decolagens por ano EPITÁCIO PESSOA/ESTADÃO CONTEUDO

Enquanto a crise do coronavírus aperta os cintos de diversas companhias, outras sofrem menos – principalmente as que surfam na onda do mercado de luxo. É o caso de alguns empreendimentos da JHSF, especializada em investimentos voltados a consumidores de alto poder aquisitivo. Mesmo com a pandemia, o Aeroporto Catarina, a rede de restaurantes e hotéis Fasano e a Fazenda Boa Vista mantiveram boas perspectivas – e mereceram investimentos do grupo.

Inaugurado no fim do ano passado para ser o primeiro terminal privado para voos executivos, o Aeroporto Catarina, em São Roque (SP), viu sua demanda crescer – em parte pela pandemia. A estimativa da empresa era ocupar a capacidade dos hangares construídos até dezembro de 2020, mas a meta foi alcançada já em abril. Com a crise do coronavírus e restrições em aeroportos, há a tendência de migração do público de renda elevadíssima para o segmento de aviação executiva.

Aeroporto receberá investimentos durante a crise

Assim, o aeroporto está recebendo novo investimento, de R$ 15 milhões. O dinheiro será usado para ampliar de dois para cinco o número de hangares (espécie de galpão para estacionar as aeronaves e prepará-las para o próximo voo). A estimativa é concluir a obra em três meses. Antes desse novo aporte, o investimento na construção do terminal foi de R$ 700 milhões.

“Percebemos (esse movimento) no perfil de pessoas que estão usando o aeroporto nesse momento. São empresários, executivos, que por conta da busca por maior segurança com a saúde, estão optando por esse tipo de transporte individual”, diz Thiago Alonso de Oliveira, presidente executivo da empresa. Segundo ele, desde que a pandemia começou a se espalhar tem aparecido um número maior de passageiros “de primeira viagem” no segmento executivo. Além disso, o próprio setor vem passando por uma transformação nos últimos 10 anos, com empresas e famílias compartilhando o custo de aeronaves particulares.

Da frota brasileira, 76% são usadas em aviação executiva

Espaço para crescer, tem. Dados da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag) apontam que das mais de 15 mil aviões que compõem a frota geral brasileira, 11.804 são usadas na aviação de negócios (76%). “O público de alta renda manteve a renda. Para os setores mais expostos e sensíveis à renda, a retomada tende a ser mais lenta”, disse.

A JHSF atua no mercado de luxo na área imobiliários e de shoppings. De acordo com Oliveira, mesmo com a pandemia, os negócios da empresa estão com demanda robusta. “Não é mais robusta ainda porque boa parte dos negócios tiveram de fechar as portas temporariamente, como shoppings (a JHSF é dona do Cidade Jardim, em São Paulo) e restaurantes”, diz.

Plataformas do grupo cresceram

A pandemia fez com que o grupo acelerasse o movimento digital. A plataforma digital CJ Fashion apresentou crescimento de 300% nos pedidos online em março e abril, na comparação com janeiro e fevereiro. O grupo também implementou um serviço de entrega para os restaurantes da marca Fasano, adquirida em meados de 2014 – a JHSF tem participação também na rede de hotéis. Segundo Oliveira, as entregas da rede de restaurantes no segundo bimestre contra o primeiro bimestre deste ano cresceram na ordem de 600%.

Já no seguimento imobiliário, as vendas do empreendimento Fazenda Boa Vista cresceram 130% no primeiro trimestre deste ano contra igual período do ano passado, sendo que boa parte dos contratos de compra e venda foram assinados na segunda quinzena de março, durante a pandemia. “A demanda pelo produto de alta renda não deixou de acontecer”, afirma.

O grupo agora está voltado à ampliação da marca Fasano pelo mundo. Inauguraram um hotel em Nova York na virada do ano e estão construindo um restaurante na cidade. “A ideia é seguir essa expansão da marca (hotel e restaurante). Além de Nova York, estamos olhando para Miami e Los Angeles nos Estados Unidos. Na Europa, avaliamos Paris, Londres, Milão e Lisboa”, diz.

Notícia publicada no Broadcast no dia 29/05/2020, às 17:22:55

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