Como protesto, agência recomenda a acionistas voto contrário à saída de Castello Branco na Petrobrás

Como protesto, agência recomenda a acionistas voto contrário à saída de Castello Branco na Petrobrás

Fernanda Guimarães

01 de abril de 2021 | 05h15

Uma das principais agências estrangeiras de orientação de votos a acionistas em companhias abertas, a Institutional Shareholder Services (ISS), levantou dúvidas em relação à governança da Petrobras, após o episódio de interferência do governo federal que resultou na demissão de Roberto Castello Branco pelo presidente Jair Bolsonaro. Em clara mensagem de preocupação, a ISS recomendou que os acionistas votem contra a destituição de Castello Branco do conselho de administração e, consequentemente, contra sua saída do principal cargo executivo da petroleira. A assembleia de acionistas da Petrobrás está marcada para 12 de abril.

A ISS afirma que, mesmo com o voto contra, a destituição de Castello Branco será aprovada por conta dos votos da União. Disse, porém, ser importante o posicionamento por parte dos investidores. “Esta recomendação visa a permitir que os acionistas expressem suas preocupações com o processo (ou falta) de substituição do presidente e diretor executivo da companhia realizado pelo governo brasileiro”, segundo o documento.

Outro protesto se daria com a recomendação para que os acionistas se abstenham na hora de votar em relação aos oito indicados pelo governo, incluindo o general Joaquim Luna e Silva, apontado por Bolsonaro para substituir Castello Branco.

União tem maioria das indicações

A recomendação de voto favorável da ISS foi apenas em relação aos indicados por acionistas minoritários: Marcelo Gasparino, Leonardo Antonelli e Pedro Medeiros. A ISS destaca que a maioria dos candidatos apresentados pelo governo brasileiro é independente, incluindo três mulheres, mas que, de qualquer forma, foram indicados pela União e devem ser eleitos com os votos do acionista controlador. “Dessa forma, permitir que os acionistas minoritários potencialmente aumentem sua representatividade no conselho da Petrobras, em um momento em que a empresa enfrenta crescentes preocupações de governança devido à intervenção direta do governo em sua administração, e diante da inexistência de preocupações conhecidas sobre a proposta indicados dos acionistas minoritários, recomenda-se o apoio aos três candidatos minoritários independentes“, segundo o documento.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 31/03/2021, às 16:33:54 .

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