Ainda embrionário, nicho de hospitais de transição tem poucos grupos e vive expansão

Ainda embrionário, nicho de hospitais de transição tem poucos grupos e vive expansão

Luísa Laval e Cynthia Decloedt

23 de agosto de 2021 | 17h21

Hospitais de transição focam cuidados paliativos Foto: Daniel Teixeira/Estadão

O setor de transição de cuidados entrou de vez no radar dos investidores financeiros no Brasil. A modalidade atende pacientes que demandam atenção continuada para tratamento, mas que não necessitam de toda a estrutura de um hospital tradicional.

Atualmente, existem aproximadamente 2 mil leitos da categoria no País, concentrados em São Paulo e Rio de Janeiro. São cerca de 20 empresas, cinco delas consideradas como potenciais alvos de fundos de private equity: Premium Care, Humana Magna, Sainte-Marie, Placi e Total Health. O número de leitos ainda está distante dos 142 mil hospitalares no País, que são, muitas vezes, ocupados por doentes crônicos.

O negócio tem três frentes principais: cuidados paliativos, com foco em pacientes com doenças avançadas ou terminais; pacientes em reabilitação, que demandam serviços pós-operatórios para retornarem à vida cotidiana, podendo apresentar sequelas; e pacientes crônicos, que possuem grau alto ou médio de dependência e cuidados médicos.

Apesar do otimismo, o mercado ainda é visto como embrionário e precisa dar passos importantes para se consolidar. Segundo as empresas, o momento é de expandir leitos para aumentar a capilaridade e ganhar corpo para alçar investimentos maiores e potenciais fusões e aquisições.

“Nós nos sentíamos como o padre José de Anchieta chegando ao Brasil na colonização: escrevíamos na areia e as ondas apagavam. Vai haver consolidação, mas ainda teremos muito greenfield (operação a partir do zero)”, afirma o CEO da Premium Care, Alexandre Santini.

A rede de clínicas Premium Care acaba de inaugurar sua oitava unidade em São Paulo, e espera alcançar 350 leitos até o início de 2022. Com a inauguração mais recente, passou a contar com cerca de 260 leitos.

De acordo com Santini, o objetivo é se tornar a primeira opção das gestoras de planos de saúde. Por enquanto, o negócio das principais empresas não envolve o atendimento individual a clientes, mas recebe apenas pacientes encaminhados a pedido das operadoras, modelo também presente na concorrência.

“É um modelo que traz benefícios para todos os interessados, porque é uma economia de custo para a operadora, um atendimento melhor para o paciente e maior atenção para a família”, afirma.

Humana Magna

A Humana Magna possui duas unidades em São Paulo e soma 150 leitos. De acordo com o CEO, Arthur Hutzler, essas clínicas conseguem gerir melhor os custos por empregarem o chamado “low-tech” e “high-touch”, ou seja, um nível baixo de automação e um alto nível de interação pessoal.

“Amplia na desospitalização, na transição de cuidados. O hospital nasceu para curar e investigar, com diagnósticos, procedimentos diagnósticos e invasivos. Mas chega o momento em que muitos pacientes precisam de uma continuidade nos cuidados, mas não precisa mais de investigação nem de cura”, afirma.
Ele afirma que a Humana conta com uma fase de investimento de mais quatro anos, com valores do fundo Trigger Participações, atualmente em R$ 100 milhões.
“Estamos com expansão em São Paulo e estamos retomando planos para fora, como Rio de Janeiro e Brasília. Para ampliar os serviços, precisamos entre 700 e 1 mil leitos”, diz.

Gestoras

O hospital Placi, investido da FinHealth, gestora de venture capital, conta com 100 leitos hoje e tem projeção de chegar a 360 em um ano. Segundo o CEO da empresa, Carlos Alberto Chiesa, ao final de 2021, a empresa terá faturamento acumulado de R$ 53 milhões.

Chiesa afirma que ainda boa parte da energia do negócio é consumida na explicação do modelo, mas que as empresas já começam a se tornar mais conhecidas no mercado. “Com o tempo, as próprias operadoras foram percebendo e as próprias unidades de transição foram mudando o discurso de se mostrarem unidades de grande geração de valor na proposta do cuidado ao paciente, além de resultados muito positivos em termos de gerenciamento de custos”, aponta.

Também em São Paulo, a Clínica Sainte-Marie, do grupo Brasil Senior Living (BSL), do Pátria, possui atualmente 180 leitos, depois de inaugurar 60 nos últimos meses. “Temos três unidades em São Paulo, mas estamos abertos a expandir em outras cidades assim que esse mercado amadurecer e aumentarmos as parcerias com operadoras”, diz Jarbas Salto Jr, diretor médico e de operações da BSL Saúde.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 20/08/21 às 08h30.

O Broadcast+ é a plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse 

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.