Além de ativos da Petrobras, 3R mira áreas de empresas menores

Além de ativos da Petrobras, 3R mira áreas de empresas menores

Denise Luna e Fernanda Nunes

11 de maio de 2021 | 05h00

Polo Macau, da 3R Petroleum. Foto: Divulgação/3R Petroleum

Pronta para assumir mais um ativo da Petrobras, a 3R Petroleum Óleo e Gás segue com sua estratégia de aproveitar o programa de desinvestimentos da estatal para crescer. Rodrigo Pizarro, diretor Financeiro da empresa, tem orgulho em afirmar que a 3R é a petrolífera independente que adquiriu o maior número de campos da Petrobras. Mas essa não é sua única aposta. Áreas produtoras de outras companhias, que já ultrapassaram a fase exploratória, são também uma alternativa para avançar no mercado brasileiro.

“É claro que, como a Petrobras deteve o monopólio por muito tempo, oferece mais oportunidades. Mas há outras empresas que se instalaram no Brasil, começando na etapa exploratória e passaram à produção. Algumas delas, hoje, são players menores. A gente avalia a possibilidade de adquirir empresas desse tipo ou seus campos”, afirma Pizarro.

A primeira aquisição de ativos da Petrobras foi na bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte, o Polo Macau, com sete campos, um dos principais conjuntos de ativos adquiridos pela 3R, e o único em operação. É lá também que a empresa pretende implantar um sistema de produção energia eólica para reduzir parte das emissões de gases efeito estufa da companhia. A 3R vai revitalizar aerogeradores que vieram no pacote do Polo.

“Eles estavam parados para manutenção, mas vão ser colocados em operação no médio prazo. São os primeiros aerogeradores instalados no Rio Grande do Norte. São menos de 2 megawatts. Temos plano de incrementar essa capacidade, revitalizando ou substituindo. Estamos avaliando isso, atualmente”, informa.

Empresa prevê praticamente dobrar a produção

Depois de Macau, vieram o Polo Pescada-Arabaiana (RN), Polo Fazenda Belém (CE) e Polo Rio Ventura (BA) -, cujas transações ainda estão em andamento. Ao todo, a produção da empresa gira em torno dos 16 mil barris diários de petróleo, mas, segundo ele, a perspectiva é superar os 30 mil barris de óleo equivalente (boe) por dia com os seis clusters da empresa, de acordo com as Certificações de Reserva da Degolyer & MacNaughton’s e Gaffney Cline, já publicadas pela empresa.

Até o final deste ano, a empresa deve utilizar parte dos recursos obtidos no follow on do início de 2021 para finalizar a compra do Polo Recôncavo da Petrobras, adquirido no final do ano passado por US$ 250 milhões. “Já pagamos o sign (sinal), que é menor, e agora temos que pagar a parcela do closing (final), que deve acontecer até o final deste ano”, diz.

Outra parte da captação será usada para capitalizar a companhia, que vai concentrar os ativos offshore (marítimos) da 3R, em parceria com uma empresa brasileira fundada por profissionais noruegueses, a DBO.

“Não está 100% concluída porque existem algumas condições precedentes que precisam acontecer para que haja essa implementação do acordo. Mas, muito em breve, deve acontecer. Naturalmente, faremos uma capitalização dessa companhia para viabilizar novas oportunidades”, afirma. A parceria já fez uma aquisição no início deste ano, o Polo Peroá, na bacia do Espírito Santo, por US$ 55 milhões.

O próximo ativo a entrar no portfólio na 3R deverá ser o campo de Papa-Terra, nas águas profundas da bacia de Campos. A proposta da gestora de fundos Starboard Asset, que tem participação relevante na 3R, foi considerada a melhor pela Petrobrás, mas ainda não foi anunciado vencedor. Papa-Terra tem petróleo pesado (14 a 17 graus API) e produção em torno dos 20 mil barris diários.

“Essa negociação está em curso, não posso dar mais detalhes. A Petrobras ainda não divulgou se encerrou, ou se outra assinatura foi feita. O mercado conhece o nosso interesse em fechar essa participação no Polo Papa-Terra”, diz o executivo, que disse também desconhecer como está o andamento da compra dos campos de Albacora e Albacora Leste, também alvos de proposta da 3R.

Venda de gás deve ser foco com abertura de mercado

A estratégia da petrolífera é montar subsidiárias para cada um dos ativos que adquire. Com isso, facilita sua estrutura de capital e de dívida. “É mais fácil você fechar um pacote de garantias de uma determinada subsidiária para montar a estratégia de financiamento. À medida que isso vai se desenvolvendo melhor, vai se tendo melhor desenho da estrutura da subsidiária e a gente passa a fazer incorporações. Dois exemplos são Rio Ventura e Recôncavo, dois conjuntos de campos da Bahia, muito próximos, que trataremos como uma única operação”, explica Pizarro.

Hoje, os ativos adquiridos em terra pela 3R têm contratos de gás ou de óleo associados e uma qualidade considerada de média para leve (de 20 a 30 graus API). “Isso nos permite ter descontos baixos, em comparação a outras empresas do setor. Apenas no mercado de gás, alguns contratos foram fechados a valores aquém da média”, diz Pizarro, que aposta na abertura do mercado de gás para atrair novos negócios.

“Com a abertura do mercado de gás, a 3R passa a ter a possibilidade de vender gás às distribuidoras, empresas independentes e consumidores finais. A gente busca novas alternativas para contratos de gás que agreguem valor à companhia”, diz.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 10/05, às 15h15.

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