Algar começa a colocar em prática plano de crescimento em banda larga

Algar começa a colocar em prática plano de crescimento em banda larga

Circe Bonatelli

11 de maio de 2022 | 05h30

Antena de telecomunicação; foco da Algar são regiões Sudeste e Sul  Foto: Estadão

Diante das perspectivas de crescimento do mercado de banda larga no Brasil, a operadora mineira Algar Telecom decidiu ampliar a sua atuação no ramo – uma estratégia que aumentará a concorrência no segmento que atrai desde as grandes teles até os provedores regionais.

A companhia já conta com uma rede de 110 mil quilômetros de fibra ótica que atravessa 16 Estados. Trata-se de uma das maiores redes do País. A mais extensa é a da Oi, que passa dos 400 mil quilômetros. Mas até agora sua atuação em banda larga foi discreta, com prioridade à oferta de conectividade para empresas. O consumidor final é atendido apenas em um conjunto restrito de 87 cidades, limitadas à sua área de concessão (a maior parte em Minas Gerais).

Daqui para frente, a operadora planeja pisar no acelerador. A companhia aproveitará a sua infraestrutura já instalada para lançar pacotes de internet de alta velocidade em mais cidades. O foco está nas regiões Sudeste e Sul.

Primeiro lançamento será na mineira Araxá

O primeiro lançamento comercial será na quinta-feira (12), em Araxá, cidade de 108 mil habitantes na região do triângulo mineiro. Outras cinco cidades (ainda não reveladas) estão nos planos para o curtíssimo prazo. “Em dois anos, queremos ser um player bastante relevante nas localidades onde fizermos os lançamentos”, afirmou o vice-presidente de negócios de varejo, Márcio de Jesus, em entrevista ao Broadcast.

O backbone (espinha dorsal) da rede da Algar já passa por 600 cidades. Se for traçado um raio de 15 quilômetros ao redor desse eixo, a cobertura pode chegar a 1,1 mil cidades – há, portanto, um mercado enorme a ser atacado. “Temos uma base boa para começar. E temos visão de que o potencial é muito grande”, ressaltou o diretor presidente, Jean Carlos Borges.

Será preciso investimento para construir os trechos finais das redes de fibra, ligando o backbone até os endereços dos consumidores. Além disso, a operadora fará a abertura de lojas e a preparação de times para atendimento comercial e técnico.

Empresa vai buscar diferenciação

A expectativa é de abocanhar em torno de um terço de participação de mercado nas novas localidades em até dois anos. Um gargalo está no fato de que essas municípios já são ocupados por outras teles. “Em muitas cidades, sabemos que vamos nos deparar com competição mais forte. Da nossa parte, vamos buscar a diferenciação pelo conjunto completo: fibra de alta velocidade, agressividade comercial na entrada e boa oferta de canais de vendas”, disse Borges.

Ele também argumenta que, na média, 20% dos clientes de banda larga trocam de operadora a cada ano. “Isso abre um espaço fantástico para novos entrantes”, afirmou o executivo. “Queremos aproveitar essa janela em que os clientes buscam mudar de operadora seja por questão de custo ou porque tem uma experiência ruim”.

O plano de crescer em banda larga estava em gestação no conselho de administração da Algar desde o segundo semestre do ano passado, conforme antecipou o Broadcast na ocasião. Depois de muito estudo, a companhia decidiu colocar a ideia em prática. Mas de maneira bastante conservadora.

Por ora, a Algar não revela projeção de investimentos nem metas de expansão. Primeiro, a empresa vai apurar os resultados obtidos em Araxá e nas próximas cidades do cronograma para avaliar se a tese se confirma. “Se as hipóteses de crescimento se mostrarem positivas, serão o gatilho para uma expansão mais rápida”, afirmou o diretor presidente.

País tem quase 41 milhões de conexões de banda larga

O Brasil chegou ao fim de março com 40,8 milhões de conexões em banda larga, 8% mais do que um ano antes, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O número, entretanto, é 1,6% menor do que o pico de 41,5 milhões de conexões em dezembro.

Ainda não está claro para analistas o motivo dessa retração, tendo em vista que boa parte da população ainda não conta com internet. Mas há algumas hipóteses. Uma delas é o peso do cenário de inflação e juros em alta, que têm afetado o poder de compra da população. Outra avaliação é de que o pico da demanda foi quando as pessoas passaram a trabalhar em casa, durante a pandemia – o que está ficando para trás.

“Não acredito que quem já experimentou internet de qualidade para ver filme e séries vai abrir mão disso”, pondera Márcio de Jesus. “E o peso da mensalidade da banda larga é relativamente pequeno para as famílias de classe média”.

A nova estratégia vai correr paralelamente às franquias da Algar. A operadora inaugurou esse modelo em 2017 – mais tarde, Vivo e Oi trilharam o mesmo caminho. Aqui, o fraqueado implementa a rede e providencia equipe técnica, instalação e manutenção de serviços (fixo, internet, celular e TV), enquanto a Algar cede o backbone e oferece suporte especializado.

A companhia já chegou a 101 cidades por meio de suas franquias, dentre elas São Carlos, São José do Rio Preto e Cravinhos. No total, atingiu 2 mil quilômetros de redes de fibra via franquias.

 

Este texto foi publicado no Broadcast no dia 10/05/22, às 16h08

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