Algar, Copel e Sercomtel pressionaram para mudar termos da venda da Oi Móvel

Algar, Copel e Sercomtel pressionaram para mudar termos da venda da Oi Móvel

Circe Bonatelli

09 de fevereiro de 2022 | 05h10

Oi embolsará R$ 16,5 bilhões com a venda das redes móveis  Foto: Nacho Doce/Reuters

A venda das redes móveis da Oi para a aliança entre TIM, Vivo e Claro, que tende a ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) com restrições, enfrentou  artilharia aberta de outras empresas de telecomunicações, que trabalharam para ganhar  com a eventual  aprovação da operação mediante contrapartidas. A mineira Algar, da família Garcia, e as paranaenses Copel e Sercomtel, do empresário Nelson Tanure, mobilizaram suas tropas de advogados e jornalistas para criar entraves para o negócio. A estratégia, como se viu, parece ter surtido efeito. Isso porque a operação caminha para ser aprovada pelos órgãos reguladores com mais obrigações para o trio de operadoras do que o previsto inicialmente.

A Algar acusou TIM, Vivo e Claro de terem queimado a largada ao selar a transação sem o aval dos órgãos competentes. Essa infração é conhecida pelo jargão de ‘gun jumping‘. A acusação ganhou respaldo do Ministério Público nesta semana, que encaminhou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma manifestação defendendo a investigação da suposta ilegalidade.

Quem também obteve uma vitória foi a Copel. A operadora apontou ilegalidades nas sessões realizadas pela Agência Nacional de Telecomunicações que concederam anuência à venda da Oi Móvel. A Copel argumentou que o conselho do órgão regulador não poderia ter sido presidido pelo conselheiro Emmanoel Campelo, que já havia ultrapassado o período de permanência provisória no cargo. Com isso, a Anatel admitiu rever as reuniões, que poderão ser convalidadas ou anuladas.

A Sercomtel também passou a engrossar a artilharia contra o negócio. Em manifestação ao Cade enviada na terça-feira (08), a empresa pede que as teles se desfaçam de ativos da Oi nessa operação. A alternativa está sendo considerada por conselheiros do Cade para o julgamento desta quarta-feira.

Fibra ótica

A ofensiva aberta contra o negócio tem como pano de fundo dois objetivos. Um é o fato de que a Oi embolsará R$ 16,5 bilhões com a venda das redes móveis e usará o dinheiro para investir na expansão da fibra ótica por meio da V.tal, empresa que tem o BTG Pactual e a Globenet como sócias. A rede da V.tal é de longe a maior do Brasil, com capacidade de atropelar concorrentes em todo o País. Algar e Copel também trabalham com fibra ótica.

O segundo ponto é que uma aprovação mediante contrapartidas como a venda de antenas, radiofrequências e carteira de clientes da Oi Móvel interessa a Algar, Copel e Sercomtel. Todas são candidatas naturais à compra de ativos nas regiões onde atuam. Procuradas, as empresas não comentaram.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 08/02/22, às 16h28.

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