Algar não irá a leilão da Oi móvel, mas pode levar uma parte

Algar não irá a leilão da Oi móvel, mas pode levar uma parte

Circe Bonatelli

29 de novembro de 2020 | 05h00

A Algar Telecom vai ficar de fora do leilão bilionário das redes móveis da Oi no mês que vem, mas, ainda assim, pode vir a comprar uma parte dos ativos nos meses seguintes, dependendo de como andar o processo. Trata-se de uma estratégia de “comer pelas beiradas”, fazendo jus à origem mineira da operadora, sediada em Uberlândia (MG).

Sem chance. Está fora de cogitação para a Algar dar um lance no leilão das redes móveis da Oi, que já recebeu uma oferta firme de R$ 16,5 bilhões do consórcio formado por Vivo, TIM e Claro. Meses atrás, a Algar chegou a ser procurada pela Highline do Brasil para que entrassem na disputa juntas, mas a conversa não prosperou.

Bilhete caro. O conselho da Algar – controlado pela família Garcia – achou caro o lance mínimo de R$ 15 bilhões estipulado pelo edital do leilão. Além disso, uma eventual compra das redes nacionais da Oi representaria uma expansão desproporcional para a tele, que atua em apenas quatro Estados.

Plano B. Membros da Algar e agentes de bancos de investimento consideram a hipótese de Vivo, TIM e Claro não conseguirem um aval pleno do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para fatiar a Oi entre si, pois isso aumentará a concentração do mercado. Em operações dessa magnitude, não é incomum o órgão antitruste limitar a concentração exigindo que o grupo comprador venda parte dos ativos para terceiros.

Rebote. É aí que entraria a Algar. A companhia tem cobertura de celular em regiões de Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul. Caso o trio Vivo, TIM e Claro tenha que se desfazer de trechos da rede móvel da Oi, a Algar tem interesse em ficar com clientes de celular e frequências de sinais nessas regiões. Procurada, a Algar afirmou que “não comenta rumores de mercado”.

Fome. A Algar tem apetite por aquisições e está à procura de ativos. Desde 2018, a operadora mineira recebeu como sócio o GIC, fundo soberano de Cingapura, que fez um aporte de R$ 1 bilhão em troca de 25% das ações. De lá para cá, o grupo acelerou as compras. Neste mês, deixou escapar a compra da Copel Telecom durante leilão que teve lance mais alto do fundo de investimentos Bordeaux.

 

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 27/11/2020 às 13:02:33 .

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