Alshop anuncia isenção de aluguel a lojistas, mas redes de shoppings negam

Alshop anuncia isenção de aluguel a lojistas, mas redes de shoppings negam

Circe Bonatelli

25 de março de 2020 | 04h50

Foto: Ina FASSBENDER / AFP

Após as vendas nos shopping centers irem à lona com a crise do coronavírus, a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) publicou um comunicado afirmando que foi fechado acordo com os donos dos empreendimentos para isenção do aluguel dos varejistas nesse período de crise. O problema é que esse acordo nunca existiu. O comunicado pegou de surpresa até alguns lojistas consultados pela Coluna do Broadcast. “Foi um blefe. Nunca teve nada de oficial”, disse o dono de uma rede de moda, que reprovou a postura da Alshop. “É mentira mesmo. Parece uma guerra de posicionamento para forçar negociação”, comentou o diretor de rede de shopping.

Alerta. O comunicado da Alshop atraiu a atenção do mercado financeiro. O Credit Suisse chegou a publicar um relatório prevendo queda de 12% a 15% no lucro operacional de BRMalls, Iguatemi e Multiplan (maiores empresas do setor) por mês de aluguel suspenso, caso essa medida fosse verdadeira.

Esclarecimento. A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) esclareceu que há apenas uma “sugestão” para as donas das redes adiarem a cobrança de aluguel, mas não a isenção, e ainda chamou o comunicado da Alshop de “nonsense”. Segundo a Abrasce, os contratos são individuais e cabem às partes negociarem.

Resposta. Procurada, a Alshop afirmou que houve apenas uma “discrepância” entre os termos usados pelas associações, mas há entendimento de que as negociações são individuais. Também afirmou que é inviável a manutenção do pagamento do aluguel sem as lojas estarem operando e acrescentou esperar que os empreendimentos se solidarizem.

Nariz crescendo. A Alshop é presidida por Nabil Sahyoun e representa Riachuelo, Polishop, Pernambucanas, Habib’s, Cacau Show, Divino Fogão, Amor aos Pedaços, entre outras. Esta é a segunda vez que a associação é desautorizada em público. No Natal, ela divulgou um crescimento nas vendas na ordem de 9,5%, mas esse dado foi negado por uma outra agremiação de lojistas, e a Alshop acabou “corrigindo” o dado para 7,5%.

Notícia publicada no Broadcast no dia 24/03/2020, às 17h26

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