Alto escalão acha ESG importante, mas maioria só tem ação no marketing

Alto escalão acha ESG importante, mas maioria só tem ação no marketing

Cristiane Barbieri

29 de novembro de 2021 | 16h10

ONU, em Genebra; empresas têm de buscar formas de impactar positivamente a sociedade  Foto: REUTERS/Denis Balibouse

Apesar de 92% dos executivos de alto escalão acreditarem que práticas ESG (ligadas a preocupações ambientais, sociais e de governança, da sigla em inglês) são importantes, apenas 48% incluem esses objetivos nas operações e nos cargos. É o que mostra estudo da empresa de recrutamento e avaliação de executivos Russell Reynolds com empresas de consumo, que têm pressão direta por mudanças por parte dos consumidores e podem ajudar a influenciar fornecedores.

Embora muitas companhias tenham diretores de sustentabilidade (85%), poucos têm conhecimento do assunto, investem na construção efetiva da área ou se reportam a quadros estratégicos das companhias. Quase nenhum deles se reporta diretamente aos presidentes executivos. Geralmente, os executivos da segmento ocupam várias funções e estão ligados às equipes de marketing, recursos humanos ou assuntos corporativos.

Além disso, apenas 21% acreditam que os negócios estão atualmente desempenhando um papel crítico para seguir as diretrizes dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU). Os ODS exigem que as empresas busquem maneiras de impactar positivamente a sociedade, o meio ambiente e funcionários.

O principal motivo é que essa área é nova – e a preocupação nasceu como uma resposta a cobranças, em vez de ter surgido de uma preocupação verdadeira das companhias. Quase 70% dos líderes de sustentabilidade estão no cargo há menos de um ano e 62% foram promovidos internamente. Segundo Mariane Montana, diretora de ESG da Russell Reynolds, os dados mostram que muitos estão reagindo a problemas, à medida que surgem e para resolver as preocupações de relações públicas e marca.

Retórica e realidade

O levantamento analisou 4 mil descrições de posições executivas em diferentes mercados e concluiu que apenas 15% exigem requisitos relacionados à sustentabilidade e só 4% pedem experiência com a prática. Os indicadores mostram que a sustentabilidade não é prioridade na maioria das contratações executivas e destaca a lacuna entre a retórica e a realidade.

O estudo global foi realizado em parceria com a United Nations Global Compact (UNGC) e analisou equipes de liderança de mais de 50 empresas de consumo de capital aberto, desde organizações multinacionais de produtos de consumo até as de consumo digital, hotelaria e varejo.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 29/11/21, às 13h48.

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