Ambipar, 1ª empresa de gestão ambiental a entrar na bolsa, anuncia quarta aquisição

Ambipar, 1ª empresa de gestão ambiental a entrar na bolsa, anuncia quarta aquisição

Cynthia Decloedt

29 de outubro de 2020 | 12h57

Equipe Response da Ambipar/Foto: divulgação

Com um cheque de R$ 1 bilhão, captado por meio de sua estreia na B3 em julho deste ano, a empresa de gestão ambiental Ambipar acaba de fazer uma nova aquisição para marcar presença no mercado mais em moda do momento, o da sustentabilidade. A Verde Ghaia, de tecnologia baseada no uso de inteligência artificial para gestão de dados relacionados à sustentabilidade ambiental, social e de governança (ESG, em inglês), se soma ao portfólio de aquisições feitas e que, somente neste mês, conta com outras três empresas. A Ambipar não revela valores, mas indica que alguns outros negócios estão no radar para serem concluídos em 2020.

“Não encerramos as aquisições este ano, temos conversas em andamento, especialmente com foco na expansão de nosso negócio relacionado de resposta rápida a situações de emergência, área chamada de response no exterior?, conta o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Ambipar, Thiago Silva. O isolamento da pandemia tem, no entanto, atrasado um pouco o cronograma de fechamentos dos negócios, muitos deles na Europa. Mas a proposta da Ambipar é levar um modelo padrão de emergências desenvolvido no Brasil para os Estados Unidos e Europa. “Temos domínio técnico em modal de transporte de produtos químicos”, observa Silva.

No início de outubro, a Ambipar anunciou a aquisição de 100% da One Stop Environmental e da IntraCoastal Environmental, ambas nos Estados Unidos. A One Stop, sediada no Estado americano do Alabama, é especializada em atendimentos no modal terrestre, desastres naturais e remediação de solo. A IntraCoastal Environmental atua com modal marítimo e terrestre.

No Brasil, a empresa concluiu também este mês a aquisição da Âmbito, de tecnologia, mas com viés em consultoria, auditoria e treinamento. “Com a Verde Ghaia, que é líder de mercado em inteligência artificial na gestão de processos de produção, a estratégia é complementar o portfólio de serviços”, conta Silva.

Além do negócio de resposta rápida, a Ambipar tem uma operação de gestão ambiental. O conceito da economia circular, onde toda a esteira de produção é estruturada com olhar de reaproveitamento e do menor desperdício e geração de lixo possível, é a base da operação da companhia. “Dentro do escopo da Ambipar buscamos materializar no resultado dos clientes, por meio de uma economia regenerativa, baseada na economia circular”, afirma Onara Lima, diretora de Sustentabilidade da companhia.

A executiva explica que o propósito da inteligência artificial, nesse sentido, é levar soluções complementares aos clientes, envolvendo os requisitos legais, gestão da cadeia e dos pilares da sustentabilidade ambiental, social e de governança para que haja uma rastreabilidade dos processos de produção e do histórico da companhia e setores. “Para que nada saia do campo de visão e haja materialidade na gestão”, acrescenta.

Virando a chave

A Verde Ghaia faz o rastreamento das informações relacionadas ao cumprimento de leis e normas do meio ambiente e de responsabilidade social há 21 anos. A base de dados da Verde Ghaia começou com papel, segundo Deivison Pedroza, fundador da companhia, mas a tecnologia agregou a possibilidade de interpretar as informações. “Podemos gerar valor com isso e provar de fato o quanto as empresas estão enquadradas nos parâmetros de sustentabilidade”, diz Pedroza.

Ele cita que existem 1,4 mil novas leis relacionadas à sustentabilidade ambiental e social – sem contar governança -, formando um arcabouço de mais de 200 mil requisitos legais no País. “O volume de empresas que tinham certificação no Brasil, que atestam boas práticas no meio ambiente, é enorme em relação à média do exterior, mas faltava como definir valor e a inteligência artificial é aplicada a isso”, explica.

Para Pedroza, mais do que a pandemia, o acidente em Brumadinho, causado pelo rompimento de uma barragem,  acendeu o alerta das companhias sobre a necessidade de responsabilidade ESG. “Caso Brumadinho impactou todo o sistema. As companhias em todo o mundo perceberam que podiam dormir ricas e acordar pobres”, cita.

 

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