Amil acha comprador para planos individuais e pode cortar 20% da folha

Amil acha comprador para planos individuais e pode cortar 20% da folha

Cynthia Decloedt

30 de novembro de 2021 | 05h15

Carteira, que tem mais de 350 mil associados, é deficitária  Foto: Ricardo Moraes/Reuters

A gestora de planos de saúde norte-americana United Health Group (UHG) já encontrou comprador para a carteira de planos individuais da Amil, que havia tentado vender anteriormente. Apesar de circularem vários nomes, o comprador ainda não é conhecido. Com mais de 350 mil associados, a carteira está sendo oferecida com um “prêmio financeiro”, uma vez que é deficitária e puxa para baixo os resultados da empresa. Também estão sendo oferecidos alguns hospitais da rede Amil ao comprador. O nome A venda é capitaneada pelo BTG Pactual e foi acertada no alto escalão da UHG. Falta apenas o levantamento da documentação para o negócio ser selado.

Paralelamente, a Amil tenta colocar em pé um plano de redução de 20% de custos até o fim deste ano. Isso significa cortar a folha de funcionários e o número de prestadores de serviços nesse porcentual.

Candidatos

No mercado, circulam nomes com os quais a UHG estaria conversando. O de Nikola Lukic, sócio do fundo Fiord Capital, é neste momento o mais comentado. Ele estava até novembro, segundo o Linkedin, na Starboard, gestora de ativos alternativos, e que em 2019 chegou a estudar a aquisição da operadora de planos do sul Agemed.

No começo do ano, circularam informações de que a United Health teria conversado com a Dasa Diagnóstico, empresa de Pedro Bueno, filho do fundador da Amil, para que tomasse de volta a empresa de sua família. O empresário Nelson Tanure e a QSaúde (do fundador da Qualicorp, José Seripieri Junior) são outros nomes que surgem quando o tema é a venda da carteira de planos individuais da Amil.

A venda da carteira e os cortes fazem parte de um plano de reestruturação na Amil, que começou no fim de 2020. No primeiro trimestre deste ano, a UHG dizia que havia dobrado a aposta no Brasil, para justificar uma suposta desistência de venda dos planos individuais, algo que já vinha sendo planejado havia algum tempo.

A United Health pagou mais de R$ 10 bilhões ao fundador da Amil, Edson Bueno, em 2012, quando o dólar estava em torno de R$ 1,80. Atualmente, o dólar está perto de R$ 6, o que resultaria em perda forte do investimento.

Os planos individuais são normalmente deficitários porque os reajustes estão limitados pela Agência Nacional de Saúde (ANS). A correção depende também da inflação médica do ano anterior ao reajuste. Em 2020, com a pandemia, a inflação médica caiu e o que provocou, inclusive, um efeito negativo nessa correção para algumas operadoras.

A Amil tem 5,7 milhões de beneficiários e uma rede composta por 7,4 mil laboratórios, cerca de 19,5 mil colaboradores e de 19,7 mil médicos conveniados. A Amil possui 15 unidades hospitalares e 1,2 mil hospitais credenciados à sua rede. As informações constam no site da Amil.

Procurada, a Amil não comentou. O BTG Pactual e Nikola Lukic  também não comentaram. A assessoria de imprensa da Qsaúde, empresa de José Seripieri Filho (Junior), afirma que a empresa não está participando da negociação para a aquisição da carteira de planos individuais da operadora Amil

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 29/11/21, às 18h00.

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