ANP acusa grupo Atem de estocagem irregular de gás no Amazonas

ANP acusa grupo Atem de estocagem irregular de gás no Amazonas

Altamiro Silva Junior

10 de maio de 2022 | 05h30

ANP autuou grupo e apreendeu 143,mil litros de gás   Fábio Motta/Estadão

O Grupo Atem, que comprou da Petrobras, mas ainda não levou, a refinaria Isaac Sabbá (Reman) no Amazonas, foi autuado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em fiscalização, o regulador encontrou condensado de gás natural estocado pela empresa em balsas de combustíveis, em tanques classificados pela empresa como sendo de gasolina. A ANP lacrou parte da estrutura de tancagem da distribuidora e apreendeu 143,5 mil litros do gás.

A ANP afirma que a Atem não tem autorização para estocar condensado de gás natural. A licença de operação ambiental da empresa também não mostra essa autorização. O regulador acusa ainda a empresa de não explicar como iria utilizar o produto químico armazenado irregularmente. O condensado de gás natural era classificado pelo grupo, em documentos, como gasolina do tipo A, aquela que sai das refinarias ainda sem a mistura de álcool anidro, segundo a ANP.

Atem diz que só aluga o espaço

Em resposta à ANP, a Atem informa que tem autorização do regulador para armazenar condensado de gás natural e que o produto no Tanque 7, onde foi feita a apreensão, está vinculado ao contrato de cessão de espaço entre a Atem e a Amazônia Energia. Sobre a alegação de que não explicou como utilizaria o produto químico, a Atem informou que como só aluga o espaço, a empresa que efetivamente utilizou esse combustível foi a Navemazônia Navegação, que é quem poderia dar os detalhes da utilização. Procurada pela Coluna, a empresa não respondeu até a publicação deste texto.

A Atem é uma tradicional distribuidora de combustíveis na região Norte do País. Em agosto de 2021, comprou a refinaria Isaac Sabbá da Petrobras por US$ 189 milhões. Até agora, no entanto, o negócio não se concretizou e está nas mãos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que avalia possível concentração do mercado de distribuição da região Norte.

Concorrentes, como Ipiranga e Equador, enviaram manifestação ao Cade alegando que a aquisição vai criar um monopólio privado no Amazonas. Isso porque, ao comprar a refinaria, a Atem leva não só a capacidade de abastecimento da região, como toda infraestrutura logística de importação no Norte do País e o acesso ao mercado local.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 09/05/22, às 16h33

O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.