Aos 42 anos, Mormaii agora surfa no digital e diz não dar bola para propostas

Aos 42 anos, Mormaii agora surfa no digital e diz não dar bola para propostas

Talita Nascimento

15 de dezembro de 2021 | 05h20

Pandemia intensificou digitalização da  Mormaii    Foto: Mormaii/Divulgação

O surfe e o skate pegaram a onda digital e as vendas online já representam 35% do faturamento da Mormaii, a marca veterana criada há 42 anos por Marco Aurélio Raymundo, o Morongo. Apesar de ainda ocupar o cargo de presidente, é a nova geração que está no comando da empresa, na prática. Morongo prefere desenhar peças e desbravar ondas, enquanto os mais novos põem de pé estratégias para novos tempos e enfrentam a cobiça da concorrência sobre a marca, que tem um estilo bem definido. “Há uma premissa de que as empresas menores que sobreviveram à pandemia ficaram com graves sequelas”, diz o coordenador de multicanais da Mormaii, Sacha Juanuk. “Vejo as ofertas (de compra por parte de concorrentes) como uma espécie de oportunismo de mercado.”

Juanuk é genro de Morongo e diz não haver qualquer intenção de venda da operação, mesmo com as dificuldades de 2020 e ofertas de aquisição terem se intensificado. Para ele, o negócio tem a ver com o que a família gosta, e essa cultura tem sido repassada para as novas gerações.

Além da paixão pelo negócio, porém, há uma estratégia responsável pelo crescimento da Mormaii no último ano. A empresa não divulga o tamanho do impacto, mas a operação sentiu o fechamento do comércio em 2020, quando seu faturamento foi estimado pelo mercado em R$ 350 milhões.

No entanto, a Mormaii já tinha começado o processo de digitalização em 2017. Antes da pandemia, as vendas digitais eram 7% do total. As restrições de circulação intensificaram o movimento.

Uma das estratégias da Mormaii foi avançar em multicanais. As compras feitas pelo site são direcionadas para as franquias próximas do endereço do cliente. Assim, a empresa reduz custos de frete e questões tributárias ligadas à venda online de um Estado para outro.

Além disso, cada franqueado tem sua própria página para gerir nas redes sociais. Segundo Juanuk, isso permite que as publicações sejam mais bem direcionadas geograficamente. Ou seja, para alcançar públicos segmentados por região, ter uma página para cada franquia pode ser mais eficiente do que tentar direcionar as postagens de uma única página para o público certo.

Os pontos físicos – que a empresa prefere chamar de multicanais – também estão em expansão. Antes da pandemia eram 34 lojas franqueadas. No pós-pandemia, a empresa soma 51, sendo que 50 estão interligadas ao sistema multicanal. As licenças da própria Mormaii também cresceram no período: eram 42 antes da pandemia e, hoje, são 48.

Juanuk afirma ainda que a companhia pretende expandir os pontos multicanais no Brasil, além de querer fincar bandeira em países europeus no próximo ano, já que o câmbio está vantajoso.

Com as iniciativas, a Mormaii afirma que o faturamento cresceu 270% em relação a 2020 (quando as lojas estavam fechadas) e deve fechar o ano atual com crescimento de 300%. Para o ano que vem, a expectativa é de alta de 20% na receita e de 40% nas vendas do e-commerce.

Para Gustavo Chapchap, líder do Comitê de E-Commerce da Associação Brasileira de Agentes Digitais e diretor da Jet/ZapCommerce, o modelo de franquias enfrenta um grande desafio com a digitalização do comércio. “Se o cliente vai em uma loja e gosta do produto da marca, sabe que veste bem, há grande chance de que ele faça a próxima compra online. E aí, aquele vendedor que cativou o cliente não ganha nada por isso”, diz.

Em sua visão, a proposta da Mormaii, de direcionar as vendas digitais para os franqueados é uma solução interessante para incluir a rede no jogo. Ele lembra que, ao evitar que o produto viaje de um centro de distribuição até a casa do cliente, há economias ligadas a tributação, além das logísticas. “Ele alimenta a cedia com a força do digital”, diz. Essa não é uma solução final para os desafios dos lojistas físicos, que agora tem de lidar com fluxos menores de consumidores, mas, na visão do especialista, é uma saída positiva.

Chapchap diz ainda que os franqueados costumam contribuir com o fundo de promoção das marcas. Sendo assim, é justo que a marca divida sua força digital com quem ajuda a construir essa reputação.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 14/12/21, às 16h55.

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