Apesar da pesada concorrência com Caixa, Neon vê espaço para disputar baixa renda

Apesar da pesada concorrência com Caixa, Neon vê espaço para disputar baixa renda

Cynthia Decloedt

28 de outubro de 2020 | 15h53

Jean Sigrist, presidente do Neon/Divulgação

A distribuição por meio digital do auxilio emergencial, criado pelo governo para fazer frente às necessidades dos mais diretamente afetados pela pandemia da covid-19, abriu a cena para a disputa pelo público de baixa renda, parte dele até então relegado e fora do sistema bancário. Disparado na frente está obviamente a Caixa Econômica Federal, que como operadora única do auxílio, em poucos meses colocou em pé um sistema de pagamento que virou um novo negócio com pretensão de chegar à bolsa no ano que vem.

Mas esse é um nicho no qual outros bancos digitais estão de olho. O Neon Pagamentos, que acaba de levantar R$ 1,6 bilhão, se aproxima das classes C e D e entrou no universo dos microempreendedores (MEI) com ofertas de serviços e produtos. Em um ano, já passam pela sua plataforma 25% dos 9 milhões de MEIs formais do País.

Mesmo com uma plataforma de 9,5 milhões de clientes, distante dos mais de 35 milhões que a Caixa amealhou por meio do auxílio, Jean Sigrist, presidente do Neon Pagamentos aposta que há sol para todos.

“Esse movimento (da Caixa) reforça a tendência que já vínhamos observando na Neon, de individualização de contas nas classes C e D. O uso de tecnologia permite a redução de custos e ganhos de eficiência no setor bancário”, diz Sigrist em conversa com o Broadcast. O que chama de individualização de contas é o movimento, comum nas famílias de menor renda, de migração de uma conta compartilhada para uma própria, graças à redução de custos e facilidades da conta digital.

“Estamos falando de um mercado potencial de mais de 100 milhões de pessoas. Acreditamos que tem bastante espaço para crescer, sobretudo com a oferta de bons serviços. Só no segmento de MEIs, que é um mercado que olhamos com bastante atenção, temos mais de 10 milhões de pessoas”, conta.

Há um ano, o Neon adquiriu o MEI Fácil, e ganhou uma participação de 25% nesse segmento. “Esse é um cliente que tem dificuldade importante nos serviços bancários, que está quase no limbo”, observa Sigrist. Há 15 dias, o banco lançou uma carteira de serviços bancários completos a esse grupo, o que completa a plataforma que auxilia no cadastramento, retirada do CNPJ e na gestão fiscal do microempreendedor.

Sligts diz que a proposta do Neon é ser simples. “A Neon Pagamento não se propõe a ser um novo banco, com oferta gigantesca de serviços”, afirma. Mas por outro lado, “a oferta de um único serviço não funciona”, acrescenta.

O anuncio em julho, no meio da pandemia, da aquisição da corretora mais antiga da Bolsa, a Magliano, veio nesse sentido. “Temos atuação focada em classe C expandida, que pega um bom pedaço de classe D e tangencia um público que não é grande investidor, e temos ambição de ajudar esse cliente a ter caminho”, afirma.

As aquisições do Neon não terminam por aqui. “Nosso time de M&A (fusões e aquisições) está olhando para oportunidades em tecnologia, que podem impactar nosso serviço, do ponto de vista de vazão aos nossos processos, e o universo do crédito e investimentos”, contou, sem dar detalhes.

 

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