Após acordo com banco argentino Patagonia, UBS BB põe no radar Chile, Peru, Uruguai e Paraguai

Após acordo com banco argentino Patagonia, UBS BB põe no radar Chile, Peru, Uruguai e Paraguai

Pedro Hallack e Cynthia Decloedt

19 de fevereiro de 2021 | 15h03

Enrique Vivot, chefe do Cone Sul para o global banking do UBS BB: “Em 2021, vai haver reestruturação de dívidas e gerenciamento de riscos (na Argentina)” e FOTO: UBS/BB/DIVULGAÇÃO

O UBS-BB, resultado da joint venture entre o Banco do Brasil e o suíço UBS, chamou a atenção ao anunciar um acordo comercial com o banco argentino Patagonia, no começo do mês. Afinal, o UBS já tem operação de banco de investimento na Argentina há mais de 50 anos. O Banco do Brasil, por sua vez, controla 80% do capital do banco argentino. Assim, uma pergunta ficou no ar: qual seria o interesse em firmar uma parceria estratégica num país onde ambos já atuam, em frágil situação econômica, endividado e com um acordo pendente com o Fundo Monetário Internacional (FMI)?

Em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, o chefe do Cone Sul para o global banking do UBS BB, Enrique Vivot, fala da carteira de mais de um milhão de clientes do Banco Patagonia e suas 200 agências. “O banco está em contato direto com vários clientes que teríamos dificuldade em trazer sozinhos, pelo tamanho da nossa equipe”, diz Vivot. “Ao mesmo tempo, ele não conseguia oferecer uma série de serviços que agora estão disponíveis, graças à parceria com o UBS BB.”

Para ele, “não faria sentido” deixar de fazer o acordo. O olhar é para o futuro, quando o controle da pandemia permitir que a recuperação econômica abra um leque maior de negócios, envolvendo fusões e aquisições e ofertas de ações em Bolsa. Por enquanto, as oportunidades estão no mercado de reestruturação de dívida e gerenciamento de riscos.

Confira os principais trechos da conversa:

Quais são as oportunidades no mercado argentino?

Enrique Vivot: Assim como toda a região, o país está sendo impactado pela pandemia da covid-19, mas a tendência é que as oportunidades surjam conforme a situação vá se normalizando. No ano passado, estivemos muito ativos em reestruturação de dívidas, que é o primeiro passo para a Argentina normalizar a relação com os mercados de capitais internacionais. Participamos da reestruturação da dívida do país e de algumas províncias, além de ter participado do gerenciamento de riscos de algumas empresas. À medida em que a curva da dívida argentina vai se normalizando, assim como a relação com os mercados internacionais, começamos a antecipar mais demanda por capital novo e operações de fusões e aquisições (M&As), por exemplo. Posso dizer que já começamos o ano com algumas situações novas e temos perspectiva de mais oportunidades ao longo de 2021.

Contudo, 2021 ainda deve ser um ano difícil, com bastante volatilidade e apresentando para a Argentina o mesmo desafio do resto do mundo, que é combater a pandemia da covid-19 e ser bem sucedido no plano de vacinação. Outros desafios, evidentemente, são o acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e as eleições legislativas de outubro. No fim das contas, acreditamos que vai ser um ano positivo, apesar dos obstáculos no meio do caminho, com crescimento econômico. Esse é o momento certo para se posicionar e ter uma plataforma para oferecer novas soluções.

E quais serviços estão no radar?

Vivot: Em 2021, vai continuar havendo transações de reestruturação de dívidas e gerenciamento de riscos, com muitas empresas adaptando suas estruturas de capital à nova realidade. Conforme a situação vai se normalizando, devemos assistir a novas emissões de capital e operações para financiar as companhias, por exemplo. Interessante notar ainda o mercado de M&As. Muitas multinacionais estão retornando a seus países de origem, reestruturando os negócios e focando no mercado local, pelo impacto da pandemia. O mais difícil é o mercado de ações, que demora mais para voltar, com IPOs (ofertas iniciais, na sigla em inglês), emissões de ações…

Do que depende a retomada dessas operações?

Vivot: Um fator muito importante é o sanitário, referente à covid-19 e à campanha de vacinação no país e no mundo. Isso é necessário para dar mais tranquilidade e destravar os investimentos. Quanto mais se vacina, mais a economia vai funcionar com normalidade. Em segundo lugar vêm aspectos próprios da Argentina, como o acordo com o FMI, que vai dar certa direção ao cenário macroeconômico do país, e as eleições legislativas, que sempre têm sua importância. Além disso, precisa ver como vai ser o desempenho geral da economia ao longo do ano.

O UBS-BB já é uma franquia grande no Brasil e o Patagonia, controlado pelo BB. Qual a estratégia desta nova frente na Argentina?

Vivot: O UBS está há quase 55 anos na Argentina e sempre miramos outros mercados, como Chile, Peru, Uruguai e Paraguai. Isso se intensifica com o UBS-BB, porque o Banco do Brasil também tem interesse nestes países. Existe um intercâmbio muito forte entre as empresas da região. Temos interesse em explorar esses mercados e desenvolver vantagens competitivas, como ocorreu no acordo com o Banco Patagonia. Em nível local, na Argentina, é um acordo valioso para as duas partes. Como dizemos na Argentina, seria uma “picardía” não fazê-lo, não faria sentido. São duas instituições líderes no que fazem, trabalhando paralelamente e agregando valor às respectivas operações.

Os srs. enxergam um aumento na sinergia de negócios entre empresas brasileiras e argentinas?

Vivot: Uma das vantagens do acordo é oferecer soluções mais completas para empresas argentinas que têm interesse no Brasil, tendo em vista que o UBS BB é sediado aqui e tem o Banco do Brasil por trás. Certamente, esse também é um dos objetivos, além de disponibilizar produtos globais.

Quais são as oportunidades em outros países da região?

Vivot: Chile, Peru, Uruguai e Paraguai também estão no nosso radar. O Chile tem um mercado mais desenvolvido, mas também se encontra em uma situação volátil, por conta de questões internas de cunho social e político. É um país com alguns setores bem dinâmicos, como varejo, finanças e mineração – este último também muito forte no Peru. Já o Uruguai é um mercado pequeno, mas também conta com um bom nível de desenvolvimento, sobretudo no setor agrícola, enquanto o Paraguai nos interessa pela modernização do mercado local nos últimos anos. Estamos com projetos importantes na área de energia e infraestrutura em solo paraguaio, por exemplo.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 18/02/2021, às 08:03:02 .

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