Após crise do coronavírus, Braskem só paga metade de dívida da Odebrecht com bancos

Após crise do coronavírus, Braskem só paga metade de dívida da Odebrecht com bancos

Cynthia Decloedt

15 de março de 2020 | 04h48

A queda de 37% nas ações da Braskem das últimas três semanas deixou o valor de mercado da petroquímica Braskem ainda menor. Como esse seria o parâmetro de preço para sua venda, o valor obtido seria suficiente para honrar pouco mais da metade da dívida da Odebrecht com os bancos. Antes das perdas vertiginosas que arrastaram não só os papéis da petroquímica, mas de toda a Bolsa brasileira para baixo, a Braskem valia R$ 28,6 bilhões, conforme o fechamento do dia 21 de fevereiro. No encerramento dos negócios desta sexta-feira, quando a ação subiu 19,82%, o valor de mercado da petroquímica estava um pouco acima de R$ 19 bilhões. Vale lembrar que os papéis da Braskem têm sido afetados por vários outros fatores, entre deles multas, indenizações e a paralisação em suas operações de sal-gema em Alagoas. Em um ano, as ações já caíram mais de 60%.

Partilha. A Odebrecht, em recuperação judicial, é detentora de uma participação acionária de 50,1% das ações com direito a voto e 22,9% das preferenciais da companhia – ou 38,32% do total. Dessa forma, se a Braskem fosse vendida hoje, a Odebrecht ficaria, em tese, com cerca de R$ 7,5 bilhões, para honrar uma dívida de aproximadamente R$ 13 bilhões com o grupo de bancos credores, formado por Banco Nacional de Desenvolvimento sem o Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander. Na realidade, a Odebrecht teria em mãos um valor líquido ainda menor com uma eventual venda da Braskem, por conta de impacto tributário decorrente de ajuste contábil. O motivo é que a petroquímica foi marcada nos livros da Odebrecht a um valor bastante inferior.

Distrato. Para os bancos, a desvalorização das ações da Braskem já é favas contadas. Desde que a holandesa LyondellBasell desistiu de levar a fatia da Odebrecht na Braskem, por conta de sérios problemas em áreas de exploração de sal-gema em Alagoas, as ações só têm caído. A Odebrecht chegou a apostar que o negócio poderia trazer cerca de R$ 20 bilhões ao grupo.

Longa espera. Agora, no plano que deve ser apresentado para os credores nas próximas semanas, os bancos querem ter homologado pelo juiz o pleno direito de execução das ações da Braskem se a venda da petroquímica não acontecer em até três anos. Procurada a Braskem e a Odebrecht não comentaram.

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