Após impasse, acionistas e Oaktree podem obter aval para DIP na Latam

Após impasse, acionistas e Oaktree podem obter aval para DIP na Latam

Cynthia Decloedt

11 de agosto de 2020 | 05h20

A Latam deve receber esta semana um parecer da justiça norte-americana sobre a proposta vencedora de um financiamento no modelo DIP (debtor-in-possession, em inglês), o que lhe dará a possibilidade de partir para a costura de um plano de reestruturação para salvar a empresa. O mais provável é que a proposta de injeção de US$ 2,4 bilhões feita pelos controladores, a família Cueto e Amaro e a Qatar Airlines, e pelo fundo Oaktree Capital saia vencedora. Eles se juntaram após a entrega de uma proposta de US$ 2,2 bilhões do Jeferries Finance, inicialmente de US$ 900 milhões feita isoladamente pelo Jeferries e que, já fora do prazo estipulado pelo juiz para manifestação de interesse em emprestar para a Latam, foi acrescida em US$ 1,3 bilhão por um grupo de credores que não gostaria de ver os acionistas no topo da lista daqueles que irão ser pagos primeiro. Pela legislação norte-americana, os recursos destinados às companhias em recuperação judicial por meio do DIP recebem antes dos credores, como uma forma de estímulo ao aporte. O juiz indicou rejeição à oferta do Jefferies, por ter chegado tarde demais, e prometeu um veredicto em breve, previsto para esta semana. A Jefferies apelou desta decisão nesta segunda-feira, mas isso não irá se sobrepor ao que o juiz já definiu, de acordo com especialistas.

Contra o tempo. Com voos reduzidos e sem caixa, a companhia aérea precisa rapidamente dar os próximos passos em direção a sua reestruturação para sobreviver. A Latam recorreu à proteção da justiça norte-americana há três meses e já devolveu cerca de 50 aeronaves, das quais aproximadamente 20 estavam no Brasil. Os US$ 2,4 bilhões seriam também adequados para dar suporte à companhia, que está olhando para o negócio de transporte de carga como uma saída para sua crise.

Em jogo. A companhia área poderá demitir 2,7 mil pilotos, copilotos e comandantes no Brasil, dada à recusa do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) de mudança na remuneração proposta pela empresa. Especialistas em recuperação judicial observam com atenção os desdobramentos das conversas da aérea com o sindicato, já que, como a recuperação judicial foi pedida nos Estados Unidos, não está claro como seriam aceitas as decisões tomadas lá fora pela justiça brasileira. Especialmente porque o Brasil tem um histórico de proteção trabalhista muito forte e não reconhece a jurisprudência de outros países no tema de recuperação judicial. Procurada, a Latam informou que aguarda o andamento do processo para se manifestar.

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