Após onda de IPOs, provedores de internet saem à caça de concorrentes

Após onda de IPOs, provedores de internet saem à caça de concorrentes

Circe Bonatelli

01 de setembro de 2021 | 16h10

Troca de cobre pela fibra no setor de telecomunicação abre um novo mercado FOTO PAULO LIEBERT/AE

Após a corrida bem-sucedida para ofertas de ações (IPOs, na sigla em inglês) em Bolsa, os provedores regionais de banda larga deram largada a uma nova competição, agora para ver quem consegue crescer mais rápido. Capitalizadas, essas empresas estão emplacando uma série de aquisições.

A operadora paulista Desktop, que estreou na B3 em julho, quando levantou R$ 715 milhões, fechou duas compras em menos de um mês: a primeira foi a Starnet, que tem 20 mil clientes na região de Atibaia (SP), numa transação de R$ 51 milhões. A segunda foi a NetBarretos, de Barretos (SP), cujos detalhes não foram revelados.

Já a operadora catarinense Unifique, que captou R$ 818 milhões no IPO e também chegou à Bolsa em julho, fechou três negócios em agosto. Ela comprou a Zappen, de Joinville (SC), por R$ 40 milhões, incorporando 16 mil assinantes. Concluiu ainda outras duas transações iniciadas meses antes, que são a Neofibra (Benedito Novo-SC), com 4,3 mil clientes, e a Tknet (Taquari-RS), com mais 15 mil assinantes. Os valores dessas transações não foram revelados.

A lógica por trás dessa corrida é que o setor ainda tem muito a crescer. Dados da Anatel indicam que o Brasil tem 37,1 milhões de acessos a banda larga, o que deixa boa parte da população descoberta. Além disso, só metade da rede é de fibra ótica, que permite as maiores velocidades de navegação.

Setor em transformação

O vice-presidente da área de Assessoria Estratégica da G5 Partners, Daniel Lombardi, diz que o setor está passando por uma transformação com a troca do cobre pela fibra, que abre um mercado inteiramente novo. É o movimento estrutural mais relevante desde a época da privatização da telefonia fixa, segundo Lombardi. Com os competidores capitalizados, a consolidação do mercado ainda tem fôlego para avançar. A G5 assessorou a Algar Telecom na compra da Vogel, operação de R$ 600 milhões que acaba de ser concluída.

Os provedores regionais estão ganhando mercado, principalmente no interior do País onde ainda não estão as grandes teles. Os provedores regionais atingiram 44,4% de participação no setor de banda larga, ante 40,4% de um ano atrás, segundo estudo da consultoria Teleco divulgado hoje pela associação que representa o setor (Telcomp). Com isso, são responsáveis por 12,3 milhões do total de 19,7 milhões de acessos à internet fixa por fibra. O estudo mostrou ainda que 73% dos acessos dessas operadoras têm velocidade superior a 34 Mbps.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 01/09/21 às 11h42.

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