Após sucesso de ETFs, B3 estuda lançar futuro de criptomoeda

Cynthia Decloedt

24 de novembro de 2021 | 05h15

Representação de criptomoedas; já há negociações futuras na CME e na Eurex    Foto: Reuters

A B3 tem planos de lançar negociações futuras de criptomoedas. A possibilidade está sendo estudada e depende de algumas respostas do próprio mercado para que a Bolsa entenda qual é o melhor modelo de cripto futuro a ser adotado.

Se a ideia vingar, pode ser uma alternativa às negociações à vista das plataformas de criptomoedas. Isso já ocorre com as operações de câmbio do real contra o dólar, que, na B3, estão concentradas no mercado futuro.

Até aqui, nenhuma Bolsa no mundo ousou negociar criptomoedas no mercado à vista, como se faz com ações. A dificuldade é a falta de regulação específica para que negociem o ativo, que não tem identidade definida – não há consenso entre os reguladores em todo o mundo sobre o que ela é, dada suas característica diversificada.

Futuros de criptomoedas, no entanto, já são negociados na Chicago Mercantile Exchange (CME) e na Eurex, Bolsa de derivativos europeia. A Bolsa argentina estuda um futuro do bitcoin contra o peso argentino. Por aqui, a B3 consulta o mercado.

As dúvidas são se o futuro de criptoativo seria negociado contra dólares ou reais. Existem vantagens e desvantagens em ambas opções. O futuro precisa ter um índice de referência e para que seja contra reais é preciso compor um índice cripto em reais. Em dólares, as negociações seriam mais fáceis porque os volumes transacionados na moeda norte-americana são representativos.

Pessoa física

A questão é que esse é um mercado essencialmente composto por pessoas físicas, para as quais uma triangulação da conversão do investimento em reais exigiria uma operação paralela, também em Bolsa, de troca de moeda (swap cambial). Em contrapartida, a participação das gestoras – que operam basicamente para pessoas físicas – no mercado de criptomoedas tem crescido bastante. Para elas, swaps são operações triviais.

Nos ETFs de criptomoedas, cerca de 60% dos negócios vêm de 160 mil pessoas físicas e 36% dos investidores institucionais. A B3 tem cinco ETFs de cripto, que somam um estoque de R$ 3,6 bilhões e que cresceu 270% desde abril, quando foi lançado o primeiro deles. O índice no qual os ETFs de cripto se referencia é em dólar e a liquidação é feita em reais.

O interesse dos investidores em criptomoedas é, de toda forma, grande. Embora tenham chegado há sete meses, já respondem por 6% do total de R$ 60 bilhões de custódia em ETFs diversos que a B3 disponibiliza. Esse porcentual está próximo à participação de ETFs de inflação (7%). O ETF do Ibovespa, por sua vez, caiu de 67% de participação em 2019 para 45% agora.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 23/11/21, às 10h17.

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