Após vender Dextra por R$ 900 mi, Clash volta a aquisições e leva Intervalor

Após vender Dextra por R$ 900 mi, Clash volta a aquisições e leva Intervalor

Cristiane Barbieri

06 de fevereiro de 2022 | 05h30

Fachada da  Mutant, maior empresa da Clash   Foto: Bruno Polengo/Clash

Especializada em comprar e dar musculatura a companhias – e vendê-las quando começam a ter a perspectiva de virar fisiculturista -, a empresa de investimentos Clash voltou às compras. Em sua 14ª aquisição em sete anos, levou a Intervalor, que atua em cobrança e crédito, por quantia não revelada. A vendedora foi a alemã Arvato Financial Solutions, que pertence ao grupo Bertelsmann.

Com mais de R$ 5 bilhões investidos, a Clash quer avançar no uso de inteligência artificial e automação também em sua mais nova aquisição. Como mais de 90% das cobranças a inadimplentes é hoje feita por pessoas, a ideia é tornar o processo mais tecnológico e ganhar escala e eficiência.

“Muitas vezes, o inadimplente quer zerar sua dívida e tem direito a descontos e parcelamentos, mas não tem essa informação porque nem sempre a conversa acontece de maneira cortês com o atendente”, diz Roberto Pereira, presidente da Intervalor. Segundo ele, com o uso de inteligência artificial, o sistema consegue entender qual o melhor jeito de cobrar (se por SMS, email, WhatsApp ou telefone) e a melhor proposta (parcelamentos, descontos, etc), de acordo como o perfil do cliente.

A ideia é fazer com que metade dos atendimentos seja feito via tecnologia, até o fim do ano, e chegar a 70% até 2023. Para isso, a Clash conta com uma grande base de dados, formada desde 2015 por outras empresas do grupo. São essas informações que ajudam a entender o comportamento de consumidor: onde mora, perfil de compra e pagamentos, entre outras coisas.

Experiência do consumidor

A Clash nasceu a partir de uma experiência bem-sucedida de “humanizar” o atendimento eletrônico dos call centers. Com grandes clientes e aporte de fundos como Permira, Technology Crossover Ventures e Canada Pension Plan Investment (CPPI), o grupo tem como maior empresa a Mutant, especializada em experiência do consumidor e desempenho de negócios.

O gorila gigante que enfeita a fachada da empresa na Marginal Pinheiros, pouco antes do clube Hebraica, dá indícios de que ali não há uma companhia tradicional de tecnologia. O presidente executivo da Clash, Alexandre Bichir, é filho de publicitário, estudou Publicidade e foi executivo de contas de um site, antes da bolha da internet estourar. Tem experiências ricas e variadas de empreendedorismo, entre elas ter morado no Alasca por um ano. “Quem mora lá sobrevive a tudo, foi o lugar em que desenvolvi uma couraça”, diz.

Foi o gosto pelo branding e pela comunicação que o levou a ser bem-sucedido em seu primeiro negócio, quando colocou profissionais de Humanas para tornar as conversas eletrônicas mais próximas às pessoas. Hoje, parte do aprendizado das máquinas é feito por estudantes de ensino médio de comunidades carentes, que as ensinam a entender a linguagem da moçada e de quem tem menos ensino formal.

O faturamento de cerca de R$ 600 milhões da Clash este ano será 30% menor do que o do ano passado, após a venda da desenvolvedora de softwares Dextra para a CI&T, por R$ 900 milhões. Essa aquisição ajudou a companhia de tecnologia de Campinas a estrear na Bolsa de Nova York, em novembro, quando foi avaliada em US$ 2 bilhões.

“A gente gosta do processo de transformar a empresa”, diz Bichir. “Quando ela fica muito grande e começa a fazer planos de ir para o IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês), saímos.”

Com a compra da Intervalor, a ideia é recuperar a receita em pouco tempo. Com 1,5 mil funcionários e R$ 90 milhões em faturamento no ano passado, a companhia deve alcançar R$ 200 milhões este ano.

Para chegar lá, a expectativa é passar a atender os clientes do grupo também nessa área, além de fazer a transformação digital e de gestão, para os quais serão destinados R$ 50 milhões em investimento ao longo do ano. A intenção é estender o atendimento e empresas menores, que hoje não contam com serviços de cobrança. Também passar a intermediar a oferta de crédito.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 04/02/22, às 18h03.

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