Após vingar na pandemia, telemedicina avança na saúde pública e em nichos

Após vingar na pandemia, telemedicina avança na saúde pública e em nichos

Thiago Conceição, Especial para o Broadcast/Estadão

04 de novembro de 2021 | 05h30

Pacientes em fila de espera de hospital; 75% da população utiliza o SUS   Foto: Felipe Rau/Estadão

A demanda por telemedicina e digitalização na saúde tem ganhado novas frentes de atuação, após o forte crescimento durante o período mais agudo da pandemia. Uma das novas áreas de negócios tem sido, surpreendentemente, a saúde pública, com um número crescente de municípios buscando alternativas de atendimento de custo menor. Outra é o avanço em nichos específicos.

“Estamos com uma demanda de 108 prefeituras que desejam instalar nossa tecnologia em saúde”, diz o CEO do Portal Telemedicina, Rafael Figueroa. “A atuação na saúde pública parte do princípio de otimizar e reduzir custos. É o que fizemos por meio de parcerias, com a integração de dados do Sistema Único de Saúde (SUS). São mais de 100 milhões de informações relacionadas com exames, laudos e remédios para tratamentos.”

A plataforma da empresa – que atende médicos, clínicas e hospitais – tem 600 clientes, dos quais 10 prefeituras, com a promessa de redução de custos e otimização de processos. Segundo Figueiroa, a digitalização reduz em 85% as filas em hospitais e unidades de saúde. A implantação da tecnologia nos municípios tem custo médio de R$ 2 por habitante, com a operação levando cerca de duas a três semanas. No caso das clínicas da rede privada de saúde, que geralmente têm uma maior infraestrutura tecnológica pré-existente, a operação é feita em 24 horas.

Com esse e outros negócios, o Portal Telemedicina prevê alta de 150% de faturamento em 2021 em comparação a 2020. O número de médicos que passou a utilizar a tecnologia para laudos e diagnósticos saltou de 1,5 mil para 5 mil, do ano passado até o último mês. Para os próximos cinco anos, a meta da empresa é ampliar a atuação na rede pública e internacionalizar o negócio para Estados Unidos, Canadá e França.

Primeiros passos

Para Bruno Porto, sócio da PwC Brasil, a digitalização da saúde no setor público vive o primeiro passo, com o avanço de iniciativas que nascem de empresas de tecnologia e startups. No País, apenas 25% da população utilizam os serviços ligados aos planos de saúde privados, com um universo de 75% de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

“É um público grande que precisa dos serviços em saúde”, diz Porto. “No setor público, ainda existem desafios como a menor burocratização de parcerias com iniciativas voltadas para a digitalização da saúde, a atenção maior com gestão, segurança e proteção de dados dos usuários do SUS. Porém, é fato que existe uma tendência que veio para ficar.”

Segundo ele, a predição, feita por meio de ações como o mapeamento dos hábitos de saúde, e a prevenção, realizada com medidas que visam o bem-estar e o diagnóstico preventivo de doenças, são as duas principais estratégias para o processo de digitalização da saúde. A segmentação é outra tendência que deve ser percorrida para o crescimento da telemedicina.

A AfroSaúde, por exemplo, é uma plataforma que busca dar visibilidade e conectar profissionais de saúde negros com pacientes. Para o primeiro semestre de 2022, a meta é ampliar o atendimento aos clientes e as parcerias com planos de saúde. Até julho, a plataforma pretende alcançar 1 mil profissionais cadastrados, 5 mil consultas e receita de R$ 500 mil.

Entre 2020 e 2021, a AfroSaúde recebeu R$ 250 mil em subsídios internacionais da organização ‘We are Family Foundation’ e do Google For Startups, através do Black Founders Fund. De acordo com Arthur Lima, presidente da AfroSaúde, o aporte permitiu elaborar uma plataforma mais robusta e com maior segurança de dados. O modelo entrou em operação há dois meses e tem 120 profissionais cadastrados que atuam no País em diversas áreas, como medicina, psicologia, nutrição, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e terapias integrativas.

“Nesses dois meses com a nova plataforma no ar, nossa receita mais que dobrou em relação ao segundo semestre do ano passado. O nosso modelo atual de monetização é o B2C, no qual recebemos um percentual das consultas realizadas”, afirma Lima. A empresa avalia implementar modelos de assinatura para médicos, o que deve aumentar o volume da receita.

No meio dessas tendências, as grandes empresas fornecedoras de tecnologia ganham porte inédito. A Siemens Healthineers, braço da Siemens que reúne as empresas de tecnologia médica, cresceu de 30% a 40% durante a pandemia e hoje alcança cerca de 5 milhões de pacientes por dia, em todo o mundo. De acordo com Claudio Marcelo Santos, CEO da Siemens Healthineers, o Brasil é receptivo às inovações, o que leva a empresa a olhar com atenção os investimentos em inteligência artificial no atendimento individualizado em saúde.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast  no dia 29/10/21, às 10h39.

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