Aposta da Biolab em saúde mental deslancha na pandemia e ajuda grupo a faturar R$ 2 bi

Aposta da Biolab em saúde mental deslancha na pandemia e ajuda grupo a faturar R$ 2 bi

Alda do Amaral Rocha

07 de junho de 2022 | 05h44

Cleiton Castro Marques, CEO da Biolab  Foto: Julio Vilela

Entre tantas marcas que a pandemia tem deixado, os efeitos na saúde mental talvez sejam uma das mais evidentes. De uma forma ou de outra, quase todo mundo foi afetado. Para a farmacêutica brasileira Biolab, que entrou no segmento de medicamentos para o sistema nervoso central em 2019, com a aquisição do braço de genéricos da israelense Teva no Brasil, isso significou um reforço na receita.

O segmento contribuiu para o avanço de 18% no faturamento da companhia, que chegou a R$ 2,1 bilhões em 2021. Em 2020, a fatia dessa linha de produtos no faturamento da Biolab fora praticamente zero, mas saltou para 7% no ano passado e deve alcançar 9% a 10% este ano, prevê o CEO e um dos sócios da empresa, Cleiton Castro Marques. “O mercado [de medicamentos] de sistema nervoso central teve impulso grande durante a pandemia, que gerou muita insegurança, estresse e depressão nas pessoas. A própria doença, naqueles que tiveram de forma mais grave, gerou depressão muito grande”, observa.

Empresa reforça portfólio do segmento

Até então, a empresa, que tem com um dos carros-chefes o medicamento Vonau, era focada principalmente nas áreas de cardiologia, responsável por mais de 50% da receita, dermatologia ( 15%) e ginecologia (11%). Mas, diante da perspectiva de crescimento no mercado de sistema nervoso central – no qual atua hoje com medicamentos antidepressivos, contra dores e indutor de sono – está reforçando o portfólio do segmento, diz Marques.

Dentro dessa estratégia, licenciou e começa a distribuir para farmácias do País este mês um extrato de cannabis sativa da Promediol do Brasil. Segundo a empresa, o produto, à base da planta cultivada na Suíça, é o primeiro fitoterápico controlado sem efeito psicotrópico em comercialização no País com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O extrato tem sido utilizado, segundo a farmacêutica, no tratamento de patologias como epilepsia refratária, transtornos de ansiedade, dores crônicas, mal de Parkinson e insônia.

Para além da pandemia, Marques acredita que o segmento de sistema nervoso central na Biolab deve continuar avançando, impulsionado pelo modo de vida atual que “aumenta cada vez mais as questões de saúde mental”. Ele estima que até 2025 deva representar 20% a 25% do faturamento da empresa.

Outra aposta da Biolab é no segmento chamado de 40+, com suplementos voltados à melhoria de mobilidade, tratamento de artrose e sarcopenia (perda de massa muscular), entre outros. Em 2021, representaram 12% do faturamento. “O segmento deve acompanhar o ritmo de crescimento da empresa”, afirma Marques. A estimativa é que o faturamento da farmacêutica cresça cerca de 19% este ano, alcançando R$ 2,5 bilhões.

Nova unidade entrará em operação no fim de 2023

Com 25 anos recém-completados, a Biolab tem como sócios os irmãos Cleiton Castro Marques e Paulo de Castro Marques e o farmacêutico Dante Alario Junior. A empresa tem três unidades fabris e deve colocar em operação uma nova indústria no fim do ano que vem, na cidade de Pouso Alegre, em Minas Gerais. A planta, que começou a ser construída há 2 anos e meio, está demandando um investimento de R$ 500 milhões.

Lá, segundo Marques, a Biolab terá, além de algumas das linhas de produção já existentes, outras em que a empresa ainda não atua. “Vamos ampliar para áreas ainda não exploradas”, afirma. A parte industrial do complexo em Pouso Alegre ainda está sendo construída, mas já há um centro de distribuição em operação.

A farmacêutica, que também tem uma divisão de pet com a marca Avert, investe 7% a 8% do faturamento em inovação a cada ano, segundo Cleiton Castro Marques. Nessa frente, possui um centro de Pesquisa e Desenvolvimento no Canadá, desde 2018. Neste ano, deve iniciar também uma operação comercial no país norte-americano, com venda de medicamentos desenvolvidos lá e produzidos por terceiros, de acordo com o CEO.

 

Este texto foi publicado no Broadcast no dia 06/06/22, às 15h38

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