Auditor cobra provisão de fundo com papéis da Atvos

Auditor cobra provisão de fundo com papéis da Atvos

Coluna do Broadcast

21 de junho de 2019 | 04h00

Mesmo após a Atvos, braço de açúcar e álcool da Odebrecht, voltar à mesa com credores para renegociar uma dívida R$ 12 bilhões, que posteriormente levaria à recuperação judicial, um fundo de investimento em participações (FIP) com exposição ao grupo não detinha colchão algum para eventuais perdas. Administrado pela Planner Corretora, o Terra Nova Bio Energia tem em sua carteira mais de R$ 933 milhões em debêntures da empresa. O valor equivale a praticamente todo o seu patrimônio líquido, de cerca de R$ 1 bilhão. No entanto, nenhuma provisão foi feita em suas demonstrações financeiras de 2018. A ausência de um colchão para perdas chamou a atenção da firma de auditoria Baker Tilly Brasil, que analisou os números do fundo.

Fica a dica. Em carta a administradores e cotistas, datada do dia 7 de junho, a consultoria sugere o complemento de provisão da cifra total, de R$ 933,673 milhões. A Atvos entrou com pedido de recuperação judicial em 29 de maio.

Santa safra. Apesar de a auditoria já ter indicado a necessidade de um colchão para toda a exposição do fundo, cálculos estão sendo feitos para que o martelo seja batido. Isso porque as debêntures da Atvos têm como garantia a safra atual. Ou seja, pode ser que não seja necessário 100% de provisionamento, conforme pessoas próximas à corretora. Uma conclusão é esperada nos próximos dez dias.

Com a palavra. Procurada, a Planner esclareceu que “o vencimento antecipado da 2ª Emissão de Debêntures da Atvos Agroindustrial Participações S.A., da qual a Planner Trustee DTVM Ltda é Agente Fiduciário, foi declarado em 21 de dezembro de 2018 pela falta de pagamento de obrigação pecuniária vencida em 15 de dezembro de 2018. Observamos ainda que a recuperação do crédito foi judicializada em janeiro de 2019, com o deferimento da penhora das ações dadas em garantia, bem como, da safra de cana-de-açúcar, sendo certo que o valor da venda da colheita deverá ser utilizado para pagamento do débito. Por fim, ressaltamos que as demonstrações financeiras do FIP divulgadas recentemente referem-se ao exercício findo em 31 de dezembro de 2018. Dessa forma, a recuperação judicial citada pelo Auditor estará contemplada como fato subsequente nas demonstrações de 30 de junho, uma vez que ocorreu tão somente em 31 de maio de 2019”.

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