Avaliada em mais de R$ 1 bi, Bionexo atrai Bain Capital e deixa IPO para trás

Avaliada em mais de R$ 1 bi, Bionexo atrai Bain Capital e deixa IPO para trás

Cynthia Decloedt

15 de outubro de 2021 | 14h57

Health tech tem mais de 4 mil hospitais em sua carteira de clientes  Foto: Wilton Júnior/ Estadão

A Bionexo, plataforma de tecnologia e inteligência no segmento de saúde, levantou R$ 440 milhões junto ao fundo de private equity Bain Capital cinco meses após desistir de levar a companhia à bolsa, por meio de uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

Com a transação, a Bain passa a deter inicialmente 37,27% do capital da companhia com o primeiro aporte de R$ 340 milhões, sendo R$ 200 milhões no caixa da empresa e o restante para a saída parcial da Prisma e da Apus, que ao lado da Temasek detêm o controle da Bionexo. Sem prazo definido, um novo aporte de R$ 100 milhões, elevará a participação da Bain para 43,2% na health tech.

A health tech, que tem 90 mil clínicas e mais de 4 mil hospitais em sua carteira de clientes, foi avaliada em pouco mais de R$ 1 bilhão na transação e vai usar os recursos para expandir seus negócios no Brasil e na América Latina. Em relação à receita liquida estimada para este ano, a Bionexo foi avaliada com um múltiplo de 6,5 vezes.

O presidente da Bionexo, Rafael Barbosa, contou ao Broadcast que o valor de avaliação da health tech está próximo ao desejado na oferta de ações, suspensa pelas condições adversas do mercado. “Somos a primeira health tech com valor acima de R$ 1 bilhão”, comemora Barbosa, acrescentando que se trata de um marco para o setor. “Este é um marco muito importante para a tecnologia em saúde no Brasil e na América Latina e pode significar um novo momento para as health techs”, diz. Ele lembra que não existe na região nenhuma empresa desse setor listada.

O segmento de tecnologia em saúde é bastante novo e, além da volatilidade do mercado, foi a dificuldade para precificar a companhia no mercado brasileiro a um preço justo que também ajudou a afastar a empresa da bolsa. “Não quero ser uma empresa listada somente. E quando fizemos o processo não só acessamos uma janela instável, mas também vimos que as ações de tecnologia caindo muito e percebemos que o mercado tem dificuldade de precificar uma health tech”, acrescentou.

Barbosa não descarta que a bolsa norte-americana possa ser considerada quando a Bionexo retomar a ideia de uma oferta, o que não está no horizonte de curto prazo. “Por enquanto, não é essa a nossa grande preocupação”, disse. Com os recursos, a Bionexo quer ampliar a oferta de plataforma SAAs para o setor de saúde, baseado em nuvem. Ele considera que, especialmente em clínicas, onde sua base é grande, a Bionexo pode evoluir para expansão por meio de operações de fusões e aquisições.

Barbosa não revelou detalhes da agenda de M&A, mas observou que a Bionexo quer ampliar sua base também na América Latina, onde está presente com operações na Argentina, Colômbia e México. Os três países representam 15% da receita anual da Bionexo. “Não temos uma meta, mas queremos seguir crescendo ao ritmo de até 27% em receita líquida”, explicou.

No primeiro semestre de 2021, a receita líquida aumentou 27% em relação ao ano anterior e chegou a R$ 54,3 milhões. A empresa também ampliou o volume de transações para R$ 8,9 bilhões, um aumento de 51,1% na comparação com 2020.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 15/10/2021 às 12h45.

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