Azul contrata Galeazzi para reestruturar compromissos com credores e fornecedores

Azul contrata Galeazzi para reestruturar compromissos com credores e fornecedores

Fernanda Guimarães, Cynthia Decloedt e Cristian Fávaro

14 de abril de 2020 | 18h00

A companhia aérea Azul contratou o escritório Galeazzi e Associados como assessor financeiro em negociações com credores e fornecedores, em meio à crise que o setor aéreo mundial enfrenta por conta da Covid-19. As conversas se iniciam de forma amigável: a ideia é reestruturar compromissos, que no fim de dezembro eram da ordem de R$ 15 bilhões, mas não em um ambiente de recuperação extrajudicial ou judicial.

O setor aéreo é um dos mais afetados com a crise trazida pela pandemia, com grande parte dos aviões no chão, por conta do fechamento das fronteiras e medidas globais de distanciamento social, como forma de diminuir o ritmo de propagação do vírus. Hoje, a Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) elevou em 24,6% a estimativa de perda global de receita por causa da pandemia, para US$ 314 bilhões em 2020, ou uma queda de 55% na receita na comparação com 2019. Somente na América Latina, a estimativa é de recuo de 49% na receita das aéreas.

Até aqui, o entendimento da Azul é de que as receitas da companhia estão sendo afetadas por uma situação inédita e temporária, dada a queda repentina e abrupta na demanda por voos. Uma preocupação da companhia aérea é de que a retomada da normalidade pode ser mais lenta do que em outros segmentos da economia, visto que pode haver resistência das pessoas em voltar a voar. A própria Iata espera que a retomada do mercado doméstico no mundo se dê apenas no terceiro trimestre deste ano. Além disso, ainda não se sabe a duração do período da pandemia e das medidas de isolamento social adotadas em diversos países, o que joga mais incerteza sobre o futuro das receitas da empresa.

A Azul, por exemplo, saiu de uma média de 900 voos diários para cerca de 70. Nesse sentido, a empresa conta não só com a renegociação de seus compromissos, mas também com os recursos prometidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para atravessar esse período. No entanto, até o momento, as negociações com o banco de fomento estão travadas, já que a diluição proposta pelo BNDES está sendo considerada elevada. Não se sabe, ainda, quando virá esse socorro, estimado na ordem de R$ 3 bilhões. Nessa negociação, a Azul contratou como assessor financeiro o Itaú BBA, apurou o Broadcast.

A contratação de Galeazzi ocorre ainda em um momento polêmico para a empresa. Já se tornou público que seu fundador, David Neeleman, reduziu pela metade sua participação na empresa, o que ocorreu, segundo, ele, por conta da execução de garantias de um empréstimo pessoal feito por ele em 2019.

A Azul já tinha anunciado medidas para preservar caixa. O plano de contingência prevê a redução de salário de 25% dos membros do comitê executivo até a normalização da situação. A mesma medida foi adotada por praticamente todas as companhias aéreas.

Um dos setores que está na berlinda por causa da crise nas aéreas é o de ground handling – empresas que prestam serviço em terra às companhias. A Associação Brasileira de Empresas Prestadoras de Serviços Auxiliares do Transporte Aéreo (Abesata), afirma que as operações aeroportuárias podem ser paralisadas diante da insolvência dessas companhias. As dívidas das aéreas, segundo a Abesata, se referem a atrasos prestados antes mesmo do início da crise do coronavírus. Cabe a esses prestadores de serviço atividades como a segurança e varredura contra o terrorismo, manuseio de bagagem e carga aérea, check in, limpeza e desinfecção de aeronaves e outras modalidades de serviços auxiliares.

Procurada, a Azul informou que já tinha um relacionamento com o Galeazzi e Associados antes da crise, junto à Azul Cargo. “Com a crise, pedimos para eles nos assessorarem com o planejamento desse período de crise e posterior recuperação econômica”, segundo a companhia.

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