B3 registra primeiro certificado de recebíveis para financiar pequenas empresas

B3 registra primeiro certificado de recebíveis para financiar pequenas empresas

Cynthia Decloedt

08 de maio de 2022 | 05h40

Operação de R$ 25 milhões vai financiar projeto de educação Foto: Fernanda Guimarães/Estadão

A B3 registrou o primeiro Certificado de Recebíveis para empresas menores (startups e fintechs) desde que o governo autorizou, em março, o uso desse instrumento de crédito a esse grupo. A operação de R$ 25 milhões vai financiar um projeto de educação e foi vendida de forma privada, ou seja, para fundos. A remuneração do papel, que vence em um ano, é polpuda: CDI somado a prêmio de 8%.

O instrumento é completamente novo no mercado de capitais. Foi autorizado por meio de Medida Provisória em março e  comemorado pelos mais importantes agentes do mercado, como Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais)  e B3, que trabalharam no projeto. A expectativa é que a MP se transforme em lei em julho.

A sócia fundadora da VERT, Vitória de Sá, que estruturou o certificado de recebíveis, estima que o potencial para esse novo instrumento de captação esteja na casa de R$ 500 bilhões. Ela toma por base o tamanho da indústria de Fundos de Direitos de Investimento Creditório (FDIC), que está em R$ 5 bilhões, e o volume de recebíveis que circulam no mercado.

O CR permite que empresas menores, que só contam com bancos para financiar capital de giro utilizando seus recebíveis, acessem o mercado de capitais. Isso porque sua estruturação é muito mais barata, envolvendo apenas a securitizadora. Nos FIDCs, que são uma das formas mais comuns de levantar dinheiro no mercado com recebíveis, a empresa tem de contratar além da securitizadora, pelo menos outros três prestadores de serviços.

Papel não tem isenção de Imposto de Renda

Sá acredita que empresas e fintechs da cadeia de cartões devam estar entre as grandes interessadas nesse instrumento. Mas não se limita a essa indústria. O diretor de produtos de balcão e novos negócios da B3, Fabio Zenaro, lembrou que os certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) e imobiliários (CRI), que são papéis comparáveis, são títulos temáticos e isso fecha o universo de empresas beneficiadas para tomar o recurso. Os certificados de recebíveis não têm isenção de Imposto de Renda como os CRAs e CRIs.

O público comprador dos CRs neste primeiro momento são fundos que têm estratégias de investimento alternativas. Mas, a perspectiva é que ofertas para distribuição pública, junto ao varejo, virão, à medida que o mercado se desenvolver. Especialmente, porque títulos de dívida de empresas têm atraído grande interesse de investidores com a volatilidade na bolsa, já que pagam um prêmio acima do juro.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 06/05/22, às 15h39.

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