Balanços mostram peso dos gastos internos com pandemia

Balanços mostram peso dos gastos internos com pandemia

André Vieira

02 de agosto de 2020 | 05h00

Junto aos balanços do segundo trimestre, que começaram a ser divulgados nas últimas semanas, tem vindo a público também a conta da covid-19 nas grandes empresas. Sem contar com a redução nos negócios e no faturamento, as companhias tiveram gastos operacionais extraordinários por conta da pandemia. Substituição de funcionários, investimentos na prevenção e doações a comunidades próximas às operações estão entre os gastos que não existiram em 2019 – e que as companhias tiveram de arcar para poder continuar operando e ajudar no combate à doença. Para grandes empresas de capital aberto – Vale, Petrobras, JBS, Usiminas, Ambev, a conta da covid supera a casa de R$ 750 milhões no período.

Comunidade. A Usiminas investiu R$ 27 milhões em medidas como equipamentos de proteção, higiene, adaptação de transporte e restaurantes, além do afastamento das pessoas do grupo de risco. Também doou mais de 170 mil máscaras a funcionários, suas famílias e comunidades, e desinfetou espaços públicos de grande circulação em Ipatinga e Cubatão, onde estão suas maiores unidades. Doou ainda equipamentos médicos ao hospital de Ipatinga e alimentos a vulneráveis.

Limpinho. Na Vale, foram US$ 27 milhões apenas de aumento de custos nas operações e outros US$ 85 milhões em despesas como doações de testes rápido e equipamentos de proteção individual aos governos federal e estaduais e apoio a hospitais e unidades de saúde locais, conta que soma mais de R$ 500 milhões. Na Ambev, as despesas em itens para combater o coronavírus chegaram a R$ 61,3 milhões no trimestre. Somado ao gasto total do ano, atingiram R$ 71,5 milhões. Na conta, entram despesas com iniciativas como compra de álcool em gel, máscaras e limpeza das instalações e doações à comunidade.

Maior. Embora não tenha revelado em seu balanço, a Petrobras destinará R$ 30 milhões em doações de kits de testes, máscaras, materiais de higiene e segurança, além de combustíveis. Outros R$ 30 milhões vão para ações de saúde e prevenção para funcionários, incluindo a realização de testes no pré-embarque para plataformas e para todos os que reportam sintomas. Algumas plataformas tiveram pessoal reduzido pelos casos de contaminação.

Na fábrica. Com 130 mil empregados e 135 fábricas, a JBS disse ter investido, entre março e junho, mais de R$ 100 milhões como forma de prevenção à covid-19. Com pressão por iniciativas nesse sentido, após o diagnóstico de casos em suas fábricas e pela Justiça ter suspendido as atividades por mais de uma vez, a empresa de carnes afirmou ter contratado consultoria médica de infectologistas e instituições de referência, ter feito auditorias nas fábricas e monitorado diariamente 100% dos funcionários do início da jornada até o retorno à sua casa. O fundo nórdico Nordea citou, ao justificar seu desinvestimento na JBS, a forma como a empresa lidou com a segurança de seus funcionários na pandemia.

Melecado. No caso da JBS, mais de 10 mil profissionais foram substituídos. A empresa comprou 150 mil litros de álcool em gel, vacinou gratuitamente funcionários para gripe H1N1 e contratou mais de 630 profissionais de saúde, número 40% a mais do que antes do início da pandemia.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia31/07/2020 às 19:02:31.

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