Banco do Brasil quer estar entre os três maiores no mercado de capitais

Banco do Brasil quer estar entre os três maiores no mercado de capitais

Cynthia Decloedt e Fernanda Guimarães

20 de setembro de 2020 | 05h00

 

Em meio à chegada de um novo presidente, o Banco do Brasil se prepara para escalar os principais rankings do mercado de capitais, com a meta de estar, em até quatro anos, entre os três maiores bancos a estruturar operações de captações para empresas por meio de oferta de ações e instrumentos de dívida nos mercados locais e externo, em financiamento de projetos (Project Finance) e em fusões e aquisições (M&A). A estratégia vem casada com a joint venture com o UBS, com estreia prevista a partir da próxima semana, uma promessa para trazer um impulso na área do banco público, que passou apagada nos últimos anos.

Já organizando os próximos passos da área está Francisco Lassalvia, que assumiu a diretoria de mercado de capitais do BB há quatro meses e que ficará à frente da equipe que será mantida sob o guarda-chuva do banco. “Ao longo dos últimos quatro meses, investimos na possível sinergia com a joint venture para que o BB seja um dos três líderes nas quatro pastas”, afirma o executivo, em entrevista exclusiva ao Broadcast.  O plano é fundamentar a origem das operações na base de mais de 12 mil empresas que estão na carteira do banco e, a partir do casamento com o UBS, estruturar e distribuir, ao lado do banco, as operações para investidores.

Outra meta do Banco do Brasil é reforçar a distribuição também entre poupadores que estão abaixo dos mais afortunados, de modo a evitar que escapem para as plataformas de investimentos, que avançam sobre os clientes dos grandes bancos. No BB, estão no varejo clientes com potencial de investimento abaixo de R$ 150 mil, a partir dos quais ficam os de alta renda e private. “O varejo ganhou relevância como investidor e por isso vamos treinar todos os gestores de relacionamento do banco para mostrar aos clientes como funciona o mercado de capitais”, conta. Lassalvia lembra ainda que o banco é de varejo e tem, portanto, o dever fiduciário de bom relacionamento e de “democratizar o mercado de capitais”.

E o arsenal nessa missão já existe dentro do banco. Lassalvia lembra que o BB possui nada menos do que 10 mil gerentes e a ampla capilaridade de toda a rede de atendimento do banco, uma carta na manga valiosa na hora de alcançar os investidores, que a cada dia precisarão mais buscar diversificação, em um mundo de juros baixíssimos.

Do outro lado, outra força já existente dentro da instituição que começará a ser utilizada é a sua base de clientes na área de atacado do banco, o que mostra a capacidade de originação das operações de mercado de capitais. A joint venture com um banco estrangeiro ajudará a fechar o cerco na hora de conquistar os mandatos das emissões junto às companhias, visto que, segundo ele, existe uma demanda para bancos com braços no exterior.

O aumento exponencial do número de investidores pessoas físicas no Brasil, que mais do que dobrou em um ano, já próximo da marca de três milhões de CPFs, já implicaram em um crescimento de 143% no número de operações feitas por meio do home broker da instituição no mesmo período. O volume mensal de negócios cresceu 86%, totalizando R$ 69,54 bilhões no primeiro semestre. E a participação do BB nas ofertas também já vem crescendo, segundo Lassalvia. Das mais de 40 operações na rua, o BB está no sindicato de 20. E a presença, segundo ele, será cada vez maior. “Estamos preparados para esse movimento de mercado de capitais e o banco vai dar muita ênfase para essa joint venture ser muito robusta”, destaca.

Para alcançar o posto entre os maiores bancos em originação de renda fixa local, Lassalvia afirma que o BB está “preparando” seu balanço para ser mais ativo. As operações de renda fixa, normalmente, contam com a garantia de colocação das instituições que estruturam a emissão, o que implica em “comprar” os papéis caso não haja demanda suficiente para o total da oferta. Segundo ele, o BB vinha focado na distribuição, lembrando que tais decisões estão, normalmente entre as instituições financeiras, relacionadas a estratégias de alocação de recursos em diferentes linhas de negócios, sob uma ótica de retorno.

A linha de “produção” está grande, de qualquer forma, incluindo emissões de empresas que querem captar lá fora. Segundo ele, o banco tem mandato para mais de 100 operações de emissão de títulos de dívida e securitização, entre as quais foram mapeadas 80 com potencial de oferta de papéis com compromissos de sustentabilidade. Ainda dentro do grupo das 100, pelo menos sete são de títulos de dívida (bonds) para o mercado externo, de acordo com ele.

O Banco do Brasil e o UBS assinaram em novembro de 2019 um acordo vinculante para o estabelecimento de uma parceria em negócios de banco de investimentos e corretora institucional que atuará em países da América do Sul, incluindo Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai. Com sede em Zurique, o UBS terá participação controladora de 50,01% desta sociedade e isso lhe permitirá maior flexibilidade.

Contato: cynthia.decloedt@estadao.com; fernanda.guimaraes@estadao.com

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 18/09/2020 às 18:04

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