Banco privado vai dividir com BNDES coordenação do socorro a setores por crise

Banco privado vai dividir com BNDES coordenação do socorro a setores por crise

Aline Bronzati e Fernanda Guimarães

19 de abril de 2020 | 04h45

Os bancos privados vão coordenar ao lado do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) os grupos de trabalho que estão sendo estruturados para socorrer em cerca de R$ 50 bilhões setores específicos na crise do coronavírus, apurou o Broadcast com cinco fontes próximas às negociações. No crédito, essas instituições devem dividir o mesmo risco nos pacotes que estão sendo estruturados para os setores elétrico, automotivo, aéreo e varejo não alimentício.

Os nomes dos bancos ainda estão sendo definidos nas diversas reuniões que têm ocorrido nos últimos dias. No entanto, a ideia, explica um executivo de um grande banco, é que cada instituição atue mais perto do BNDES no seu assunto. Assim, por ora, o Bradesco estaria no comando do socorro ao segmento de aviação, Itaú Unibanco com automotivo, Santander com varejo e o banco de fomento junto ao Ministério de Minas e Energia com o setor elétrico.

Os grupos de trabalhos, para cada segmento, já foram estruturados, e diversas reuniões estão ocorrendo diariamente. “As conversas tendem a caminhar rapidamente, mas agora é que os bancos estão se envolvendo”, acrescenta o executivo de um grande banco.

Em paralelo, os debates também visam a definir quais outros setores podem ser incluídos neste momento. Há segmentos óbvios como, por exemplo, o de turismo, que viu seus negócios minguarem com a chegada da pandemia de coronavírus no Brasil, mas ainda não foi batido o martelo. “O BNDES tem pressa, mas cada setor vai ter o seu ‘timing’ diferente, com alguns mais complexos do que outros”, comenta uma fonte, na condição de anonimato.

Assim, as negociações entre Latam, Azul e Gol junto ao BNDES, que vinham travadas, devem andar agora com mais facilidade com a entrada dos bancos privados.

Por ora, o mais avançado é o debate de ajuda às empresas do setor de energia, que tem o próprio BNDES à frente, junto ao Ministério de Minas e um sindicato de bancos quase completo. A ideia, aqui, é replicar o socorro bilionário feito em 2015. O sindicato de bancos deve reunir, conforme fontes, os pesos pesados como Banco do Brasil, BNDES, Bradesco, Itaú Unibanco, Bradesco e ainda Citibank e Safra. Já a conta está entre R$ 15 bilhões e R$ 17 bilhões.

O calendário do grupo de energia está intenso. Uma reunião ocorreu na quarta-feira e outro encontro estaria previsto para hoje. O valor do socorro ainda não foi fechado, mas avanços sobre questões burocráticas para viabilizar o empréstimo têm ocorrido, relata uma fonte. Além disso, do lado do prazo de pagamento, também em aberto, é provável, conforme esse mesmo executivo, que fique entre 60 e 72 meses.

Com a crise batendo em diversos setores, a expectativa dos bancos é de que outros setores sejam abarcados no pacote de socorro em breve. Nesse primeiro movimento, a ideia é apoiar os segmentos mais afetados pela pandemia, como o da aviação, que deixou grande parte das aeronaves no chão em tempos de isolamento social de ao menos um terço da população global.

Essa matéria foi publicada no Broadcast, em 17/04/2020, às 12:43:52

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