Bancões gastam 28% menos com provisões contra calotes em 2021, e lucram R$ 108 bi

Bancões gastam 28% menos com provisões contra calotes em 2021, e lucram R$ 108 bi

Matheus Piovesana e Altamiro Silva Junior

25 de fevereiro de 2022 | 05h45

Entre os cinco grandes bancos,  BB foi o que teve a maior alta no lucro  em 2021   Foto: Fabio Mota/AE

Os cinco maiores bancos brasileiros reduziram em 28% as despesas com provisões em 2021, após um salto em seus reforços contra a inadimplência em 2020. Com os calotes ainda sob controle no ano passado, as instituições financeiras puderam avançar no crédito a um custo menor, ao mesmo tempo em que suas receitas cresceram. O resultado é que o grupo atingiu lucro combinado de R$ 107,7 bilhões, um salto de 34% em um ano.

Dos cinco maiores bancos brasileiros em ativos, somente o Santander viu uma expansão de lucros de menos de dois dígitos no ano passado. Os demais elevaram seus resultados em pelo menos 30%, e a maior alta foi a do Banco do Brasil.

Em 2020, temendo um aumento forte da inadimplência, os grandes bancos do País fizeram provisões extras contra calotes, ou seja, além do que deveriam fazer de acordo com o perfil de risco de suas carteiras. Essas reservas foram mantidas no ano passado, mesmo com a inadimplência sob controle.

Ao contrário de parte dos grandes bancos americanos, os brasileiros não transformaram provisão em lucro. Preferiram deixar que o colchão extra fosse consumido à medida que novos calotes aconteciam, e enquanto gastavam menos com provisões do que no ano anterior. A exceção foi o Santander, que fez uma menor quantidade de reservas extras em 2020 e teve de elevar esse gasto no ano passado.

No Bradesco, por exemplo, as provisões caíram 42% em 2021, enquanto a inadimplência foi de 2,2% para 2,8%. Apesar do aumento, ficou distante tanto do índice pré-pandemia (3,3%) quanto do pico da recessão de 2015-2016 (de 5,5% em dezembro de 2016). “Estamos muito confortáveis com a evolução da nossa qualidade de crédito”, disse o diretor de controladoria e relações com o mercado do banco, Carlos Firetti, a analistas estrangeiros.

Os cinco bancos encerraram 2021 com índices de cobertura acima de 200%, o que indica que para cada R$ 1 em atraso acima de 90 dias, tinham mais de R$ 2 separados para cobrir o rombo. Os índices caíram no ano passado em relação a dezembro de 2020, mas não no mesmo ritmo, e permaneceram acima das médias históricas.

O Banco do Brasil, que era o mais coberto no final do ano (325%), espera manter a cobertura acima da média do mercado neste ano, o que dará apoio ao banco para crescer em linhas de crédito mais arriscadas e rentáveis. “A cobertura robusta nos dá gordura para crescer”, afirmou o presidente do BB, Fausto Ribeiro.

Transição da carteira

Crescer em linhas de maior retorno é uma das estratégias dos bancos para manter a recuperação da rentabilidade neste ano. Durante a pandemia, uma parte relevante dos empréstimos que concederam vinha de linhas subsidiadas pelo governo, como o Pronampe, o que também contribuiu para a redução da rentabilidade.

“Tivemos todo esse período de carência, esquemas como o Pronampe, e agora estamos encerrando esta carteira”, disse o vice-presidente de gestão financeira e relações com investidores do BB, Ricardo Forni. De acordo com ele, os resultados mais recentes refletem o “meio do ciclo” da troca desses empréstimos por outros mais rentáveis, como o crédito pessoal.

Essa transição deve elevar o custo de crédito neste ano. “O custo de crédito vai crescer nominalmente porque a carteira vai crescer nominalmente”, disse o presidente do Itaú, Milton Maluhy. Segundo ele, os gastos devem se aproximar dos níveis pré-pandemia ao longo de 2022, mas ainda abaixo deles.

Apesar de ter gasto 33% a menos com provisões no ano passado, o Itaú fez no quarto trimestre provisões 18,5% maiores que no trimestre anterior.

Receitas

Fora do crédito, o avanço da vacinação e a reabertura dos negócios fez as pessoas voltarem às ruas, impulsionando as receitas de todos os bancos com serviços e tarifas. Puxadas por operações de cartões, seguros, administração de fundos e consórcios, somaram R$ 146,1 bilhões em 2021, alta de 5,3%. Não por acaso, alguns bancos bateram recordes com cartões, seja na emissão de novos plásticos, seja no volume movimentado. Na Caixa, porém, as receitas do segmento caíram 11%, mesmo com o crescimento da emissão.

Um ponto em comum entre os grandes bancos é que todos foram afetados pelo avanço do Pix, que fez as receitas com tarifas e conta corrente caírem. A Caixa foi a mais afetada, com recuo de 32% no quarto trimestre na comparação com o mesmo período de 2020.

O presidente do banco público, Pedro Guimarães, disse que a perda foi considerável, mas que a Caixa tem conseguido driblá-la. “O crescimento de outras receitas fez com que o impacto do Pix fosse compensado”, declarou. Dos cinco grandes, o Itaú tem a maior receita com tarifas, de quase R$ 40 bilhões.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast no dia 24/02/22, às 15h47.

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