Bancos aproveitam ‘pechincha’ em debêntures para comprar bons nomes

Bancos aproveitam ‘pechincha’ em debêntures para comprar bons nomes

Coluna do Broadcast

29 de dezembro de 2019 | 04h30

Por Cynthia Decloedt

Os grandes bancos aproveitaram o verdadeiro saldão visto no mercado secundário de debêntures neste fim de ano para comprarem títulos de dívidas de boas empresas a um preço atrativo. A pechincha ocorreu por conta de um movimento de venda capitaneado por fundos de crédito, que investem nesses ativos. Ao verem seu retorno embicando para o negativo, muitos investidores que apostavam nessa modalidade decidiram resgatar seus recursos, obrigando os gestores, que prometeram liquidez diária, a se desfazerem das debêntures a qualquer preço. O resultado foi que o valor desses papéis foi ajustado para baixo em todo o mercado brasileiro, incluindo até mesmo os bons nomes.

Foi mal. O movimento oportunista dos bancos, ou seja, aproveitando a queda dos preços para segurar títulos de dívidas de empresas atrativas, ajudou a evitar uma sangria maior no mercado. Trata-se da primeira grande crise de liquidez do mercado secundário de debêntures. Traders classificaram o movimento como correção, conceito que, no mercado financeiro, remete a perdas de 10%.

Mas bom. Para os bancos, esse movimento é encarado como uma operação de crédito, já que em algum momento, essas empresas terão de liquidar essas debêntures. A vantagem é que, como foram compradas a preços muito baixos, o ganho relativo à uma linha de crédito convencional é maior, já que o provisionamento exigido pelo Banco Central para esse tipo de crédito é menor.

Não foi exclusividade. Family offices, casas que administram o dinheiro dos afortunados, também entraram comprando papéis nas mínimas, especialmente debêntures de infraestrutura. Nesse segmento, os bancos apareceram em menor quantidade e adquirindo debêntures de prazos mais curtos.

Quase lá. A correção já está no fim e, em dezembro, os papéis estão em patamares mais próximos aos fundamentos das companhias e com o prazo dos papéis. As debêntures são títulos de dívida com vencimento a partir de três anos. No caso das incentivadas, acima de sete ou 10 anos. Entre março e maio deste ano, vários fundos entraram comprando pesado e alguns deles viram em outubro resgates de até 40% de seu patrimônio.

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Siga a @colunadobroadcast no Twitter

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: