Bancos avaliam venda da Braskem por meio de várias ofertas na B3

Bancos avaliam venda da Braskem por meio de várias ofertas na B3

Cynthia Decloedt, Cristiane Barbieri e Wagner Gomes

22 de setembro de 2021 | 05h10

Na B3, as ações da Braskem já subiram mais de 140% neste ano  FOTO DANIEL TEIXEIRA/AE

Os bancos credores da Novonor (antiga Odebrecht) estão debruçados sobre a proposta apresentada pela companhia, em recuperação judicial, para a venda de sua fatia na Braskem por meio de algumas rodadas de oferta de ações da petroquímica em Bolsa. Na segunda-feira, o grupo se reuniu com as instituições financeiras, que têm as ações da Novonor na Braskem como garantias de empréstimos, para apresentar opções de venda da Braskem. A ideia de dividir a oferta veio do fato de que a transação poderia alcançar um valor alto demais, caso a Petrobras exerça seu direito de vender sua participação em Bolsa, com a Novonor.

Nos próximos dias, o grupo de instituições financeiras – formado por Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) -, analisa a proposta, que causa algum ceticismo no mercado. Há quem a veja como mera estratégia protelatória, para ganhar tempo junto aos bancos.

A Novonor sinalizou a eles que faria a venda da petroquímica até o fim deste ano, mas não encontrou interessados em levá-la pelo valor de mercado atual – um de seus melhores momentos dos últimos anos. Optou então por apresentar a alternativa de vendê-la via mercado, com emissões de ações em mais de uma rodada. Uma delas aconteceria ainda este ano.

Falta de clareza

Porém, uma venda em etapas só faria sentido após um acordo combinado com Petrobras, segunda maior acionista da empresa. Também se houvesse definição clara do que será a Braskem no futuro, que pode, ou não, ter a operação da América do Norte separada da brasileira. Mas não há a clareza sobre nenhum desses pontos.

Na B3, as ações da Braskem já subiram mais de 140% neste ano. A Novonor quer aproveitar o momento para levantar recursos suficientes e cumprir o plano de recuperação aprovado pelos credores no ano passado. O previsto era conseguir algo em torno de R$ 18 bilhões pela fatia da Novonor. Na segunda-feira, toda a empresa tinha valor de mercado de R$ 45 bilhões.

Se a proposta for aceita pelos bancos, o sindicato das instituições que levará a oferta à Bolsa pode ser fechado nas próximas semanas. Além das áreas de investimento dos bancos credores, devem participar da oferta instituições estrangeiras.

A Novonor é dona de 50,1% do capital votante da Braskem e de 38,3% do capital total. A outra sócia no negócio, a Petrobras, tem 36,1% do capital total. A forma apresentada pelas duas para se desfazerem do negócio sempre foi diferente. Para pagar suas dívidas, a Novonor queria vender a fatia para uma grande empresa do setor. Já a petroleira sempre pensou em sair do negócio por meio da venda de ações na Bolsa, desde a gestão do ex-presidente da estatal Roberto Castello Branco. Procurada, a Novonor não concedeu entrevista.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 21/09/2021 às 18h26.

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