Bancos brasileiros têm só US$ 5 mi de exposição à Rússia; americanos têm US$ 14,7 bi

Bancos brasileiros têm só US$ 5 mi de exposição à Rússia; americanos têm US$ 14,7 bi

Altamiro Silva Junior e Aline Bronzati

03 de março de 2022 | 05h15

Praça Vermelha, em Moscou; bancos europeus estão mais expostos à Rússia   Foto: Reuters/Evgenia Novozhenina

Os bancos americanos têm US$ 14,7 bilhões de exposição à Rússia, que trava há uma semana uma guerra com a Ucrânia. O valor é considerado baixo por analistas do mercado financeiro embora falte transparência na divulgação desses números pelas instituições financeiras. No caso do Brasil, a exposição é ainda menor. São apenas US$ 5 milhões, mostram dados do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), uma espécie de banco central dos bancos centrais.

Assim, Estados Unidos e Brasil estão bem atrás dos mais expostos à Rússia. Pela proximidade geográfica com Moscou, os bancos europeus lideram essa lista, embora alguns bancos não revelem suas exposições diretas. São quase US$ 75 bilhões em exposição, considerando as instituições financeiras de Itália, França, Holanda e Áustria.

A exposição total de bancos estrangeiros à Rússia é de US$ 90 bilhões, dos quais US$ 30 bilhões são exposição direta a bancos russos, segundo o BIS. A exposição consolidada chega a US$ 122 bilhões.

Citi tem exposição de US$ 10 bi

Nos Estados Unidos, o Citi surpreendeu o mercado financeiro ao informar o tamanho da sua exposição à Rússia, a maior até agora revelada por um banco americano. O Citi detém cerca de US$ 10 bilhões, conforme documento enviado esta semana à Securities and Exchange Commission (SEC, que regula o mercado de capitais nos EUA).

O Citi opera na Rússia por meio de uma subsidiária local, utilizando-se do rublo russo como a principal moeda. “O Citi continua a monitorar a atual situação geopolítica Rússia-Ucrânia e as condições econômicas e mitigará suas exposições e riscos conforme apropriado”, informa o banco no comunicado.

O Goldman Sachs, outro banco americano a abrir sua exposição na Rússia, revelou exposição total de US$ 650 milhões, incluindo empréstimos, derivativos e ativos financeiros. Na Ucrânia, a exposição total de mercado era de US$ 236 milhões.

O Citi menciona que a Rússia está entre os 25 países onde tem mais exposição. Já o Wells Fargo e o JPMorgan não incluem o país europeu nesse ranking. No caso do Bank of New York Mellon Corp, há uma lista com os dez países de maior exposição e, em separado, Brasil e Rússia. No caso de Moscou, a exposição era de US$ 100 milhões ao fim do ano passado.

Apesar do chacoalhão global que a guerra da Rússia com a Ucrânia trouxe para os mercados e economias, o JPMorgan, maior banco dos Estados Unidos, não vê a Rússia como um evento de risco para o capital dos bancos. Equivale, compara, a 5% a 10% do risco representado pelo Lehman Brothers, que faliu na crise do subprime, em 2007, com um balanço de US$ 700 bilhões e provocou uma onda de quebradeiras no setor financeiro mundo afora, com bancos precisando de socorro de urgência de governos.

“No entanto, a transparência sobre a exposição dos bancos à Rússia é baixa”, atenta o analista do JP, Kian Abouhossein, em relatório a investidores. Infelizmente, diz, a maioria dos bancos não dá informações detalhadas em torno das suas exposições.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast no dia 02/03/22, às 15h27.

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