Bancos credores podem assumir venda da Braskem se processo emperrar

Bancos credores podem assumir venda da Braskem se processo emperrar

Cynthia Decloedt e Cristiane Barbieri

26 de agosto de 2021 | 05h00

Os bancos credores da Odebrecht, agora Novonor, poderão assumir a venda da fatia de 50,1% da Braskem, caso não haja clareza de que o processo caminha para ser concretizado até o fim deste ano. Isso levaria Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o balcão de vendas. Embora já existam propostas na mesa, o cronograma para o negócio pode sofrer ajustes. Um dos motivos seria a indecisão sobre a venda da Braskem fatiada, para mais de um comprador, ou inteira. A Novonor prefere a venda a um único comprador. Se o Morgan Stanley, encarregado pelo grupo de encontrar um comprador, apresentar aos bancos uma negociação amarrada, a Novonor receberá mais 12 meses de prazo para concluir a operação, conforme prevê a recuperação judicial feita com a Odebrecht.

Nos bastidores, a Novonor espera que exista um caminho “cooperativo”. Essa, porém, não é a primeira vez que os bancos perdem a paciência com o grupo. Mesmo antes do pedido de recuperação judicial, em 2019, as discussões sobre rolagens de dívidas e obtenção de novos empréstimos entre Odebrecht e as instituições financeiras sempre foram tensas. Prova é que os bancos ficaram com toda a participação da Novonor na Braskem, como garantia para mais crédito. Na ocasião, a Odebrecht dava os últimos suspiros antes do pedir proteção à Justiça.3

Braskem vale hoje cerca de R$ 50 bilhões

Mais do que um apego da Odebrecht ao ativo – que existe -, é uma venda difícil. Hoje, a Braskem tem valor de mercado de cerca de R$ 50 bilhões. O cheque que o comprador teria em mãos varia de R$ 19,2 bilhões (equivalente à fatia da Nonovor) a R$ 50 bilhões, caso os acionistas minoritários exijam a mesma oferta. Uma conta difícil de atender.

Com mais da metade dos resultados da Braskem proveniente do Brasil, aumenta o peso do risco, por conta do momento político e econômico do País. Um representante do lado dos compradores classifica como “não trivial” essa exposição, em função da quantia que entrará no País e da incerteza do cenário.

Uma terceira frente que dificulta a venda, por incrível que pareça, são os bons resultados da Braskem. A geração de caixa, que no primeiro semestre de 2020 foi de R$ 2,8 bilhões, passou para R$ 16,3 bilhões este ano. Os candidatos à compra sabem que os números são excepcionais – no sentido de que dificilmente irão se repetir -, por conta de uma série de fatores. Entre eles, condições climáticas no Texas que prejudicaram a produção em 2020, bem como a pandemia. A expectativa é que o preço das ações não se sustente por muito tempo na Bolsa – e o valor da empresa caia.

Sem ter clareza dos rumos da Novonor na Braskem, a Petrobras também teria dificuldades para tomar sua decisão de saída. A estatal, que contratou o JP Morgan para estudar a melhor alternativa, não consegue sequer se posicionar com relação a uma venda via Bolsa, como foi feita com a BR Distribuidora. O caminho tem de ser acertado por ambas. Procuradas, Novonor e Braskem não comentaram. A Petrobras não respondeu até a publicação desta nota.

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 25/08/21 às 19h11.

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