Bancos digitais querem replicar modelo da Robinhood, mas sem ‘gamificação’

Bancos digitais querem replicar modelo da Robinhood, mas sem ‘gamificação’

Matheus Piovesana e Altamiro Silva Junior

31 de outubro de 2021 | 05h15

IPO da Robinhood, na Nasdaq, em julho deste ano  Foto:  Brendan McDermid/Reuters

Os bancos digitais estão acelerando estratégias para atrair ao mercado financeiro pessoas que nunca investiram, em um modelo que, ao menos em parte, é semelhante ao da corretora virtual norte-americana Robinhood. Com o discurso de democratizar o acesso a Wall Street, atraiu quase 10 milhões de clientes desde o começo da pandemia, a maioria jovens que nunca tinham investido em Bolsa ou fundos, sem cobrar taxas e com aplicações a partir de US$ 1. A estratégia de crescimento que a Robinhood usou, abusou e ficou conhecida – e os aplicativos locais querem evitar – é a “gamificação” do investimento, que levou enormes grupos de investidores a influenciar os preços das ações. Para isso, bancos digitais como Nubank e Inter dizem que, com a busca por clientes, há educação financeira, por diversos canais.

‘Gamificação’ se resume a levar características dos jogos para outras atividades. A Robinhood, por exemplo, transformava a experiência de seus usuários em um jogo com várias fases, com direito a animação com confetes após os três primeiros investimentos – iniciativa aposentada após críticas, inclusive dos reguladores americanos, de que dissimulava os riscos do mercado de capitais.

Ceticismo

No Brasil, há ceticismo com esse artifício: as plataformas dizem que gamificação é ótima para atrair novos clientes a curto prazo, mas péssima para mantê-los investindo por mais tempo. “Todo mundo já ficou viciado em algum joguinho”, diz Lucas Fonseca, chefe de produtos da Inter Invest, braço de investimentos do Inter. “O cara empolgado gera receita, mas não está pensando no longo prazo.”

O Inter diz preferir atrair usuários de outras formas. Uma delas é retornar ao cliente, via cashback, metade do que o banco recebe como comissão por disponibilizar fundos de investimento em sua plataforma, o chamado rebate. O cliente investe pelo app ou pelos gerentes do Inter – não há agentes autônomos.

O Nubank, que se prepara para abri capital nos EUA, também quer sua fatia no bolo. No começo do mês, anunciou que seus clientes poderão comprar e vender ações pelo aplicativo, em meio a uma ampla campanha de educação financeira. Mais recentemente, passou a oferecer CDBs de outros bancos.

Fernando Miranda, líder de investimentos do Nubank, diz que o objetivo é ajudar aqueles que estão dispostos a darem os passos iniciais em investimentos “com linguagem simples” e opções de investimentos a partir de R$ 1, sem taxa de corretagem.

Dados indicam que a fintech, com seus 40 milhões de clientes, está galgando degraus no setor. O app Nu Invest, antes Easynvest, foi o quarto mais utilizado do segmento em setembro, segundo o Bank of America, com 1,312 milhão de usuários, uma cabeça à frente do aplicativo da XP (1,301 milhão). O Inter teve 8,473 milhões de usuários – a instituição reúne todos os produtos, da conta digital aos investimentos, em um único app.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast  no dia 29/10/21, às 14h26.

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