Bancos incluem turismo e saúde no socorro a setores; ajuda a elétricas sai essa semana

Bancos incluem turismo e saúde no socorro a setores; ajuda a elétricas sai essa semana

Aline Bronzati e Fernanda Guimarães

22 de abril de 2020 | 05h00

Turismo e saúde devem ser incluídos no pacote bilionário de socorro que está sendo costurado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e bancos privados aos setores imersos na crise gerada pelo novo coronavírus no Brasil, apurou o Broadcast com quatro fontes próximas às negociações. Além de definir os subsegmentos que serão atendidos nos grupos de trabalho já formados, de forma a englobar outros segmentos impactados, outra expectativa é de que uma definição quanto ao formato de ajuda às empresas de energia, a mais avançado até aqui, ocorra ao longo desta semana.

A lista que contemplava quatro setores vistos como prioritários, de energia, aéreas, automotivo e varejo não-alimentício, agora passa a contar com mais dois, o de turismo e saúde, que terão, assim, grupos de trabalho próprios. Com isso, o pacote de ajuda calculado até então em R$ 50 bilhões será ampliado para abarcar mais segmentos afetados pela crise do coronavírus.

Alguns dos novos segmentos também serão incluídos nas atividades já selecionadas previamente de forma a tornar o processo mais simples, explica uma fonte. A cadeia têxtil, assim como bares e restaurantes, por exemplo, devem ser abarcados no setor de varejo não-alimentício, coordenado pelo BNDES ao lado do Santander. “Nesses segmentos não há um consolidador. É muito pulverizado além das grandes empresas. Estuda-se como podem ser incluídos no pacote”, diz uma fonte que acompanha as negociações.

Fora esses subsegmentos, um novo setor que deverá ter socorro é o de turismo – inclui hotelaria – e que viu a demanda sumir com a medida de isolamento social necessária para conter a propagação do vírus. O Itaú Unibanco, que já coordena o grupo de socorro ao setor automotivo, foi o escolhido para esse novo setor.

Já o segmento de saúde deve ficar com o Banco do Brasil. Diversos players do setor saúde como hospitais e laboratórios vêm sofrendo fortemente com perdas de receitas a despeito do aumento da demanda de serviços por causa do coronavírus. Uma das razões é de que as cirurgias eletivas, de onde vêm grande parte das receitas, foram suspensas.

O presidente do BNDES, Gustavo Montezzano, afirmou no fim de semana que a ajuda a setores afetados pela crise deve englobar até dez segmentos. Ele não revelou quais seriam as atividades em vista e explicou, durante live no último domingo, que os critérios para entrada no pacote de socorro incluem relevância econômica e o tamanho do estrago sentido pela Covid-19.

Por ora, a ajuda mais avançada é ao setor de energia. Uma reunião para definir detalhes e o valor do empréstimo ocorreu neste dia 21. A expectativa dos envolvidos é de que o martelo quanto ao formato seja batido ainda nesta semana, com o valor ficando perto dos R$ 16 bilhões. Já o custo deve ser CDI mais 3,5% ou 4% ao ano, conforme uma fonte. O sindicato que capitaneia o socorro é formado pelo BNDES, os grandes – Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil – , mais Citibank e Safra. “Deve ser aprovado esta semana”, diz uma fonte, que participa das negociações.

Desatando nós

No setor de aviação, quem lidera o grupo, junto com o banco de fomento, é o Bradesco. Aqui, a ajuda também deve vir por parte das grandes instituições financeiras e são esperados ainda Safra e Citi, de acordo com fontes ouvidas na condição de anonimato pelo Broadcast. Cada uma das três gigantes do setor, Gol, Latam e Azul, devem receber entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3,5 bilhões.

Apesar das conversas de ajuda ao setor terem avançado desde o ingresso dos bancos comerciais, ainda falta consenso em torno do preço de exercício do bônus de subscrição (valor da ação das aéreas para conversão) e, ainda, a participação limite que o banco de fomento poderá ter nas companhias. “De concreto nada andou, mas o BNDES está menos intransigente”, pontua uma fonte.

O BNDES queria utilizar para conversão o valor da ação das companhias aéreas – Azul, Latam e Gol – para conversão muito próximo ao preços após a forte queda, que veio na esteira da pandemia. Além disso o banco de fomento buscava uma participação de até 30% nessas empresas, ao passo que elas colocaram que aceitariam até 15%.

Contato: aline.bronzati@broadcast.com e fernanda.guimaraes@estadao.com

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