Bancos médios dão largada em central de registro de ativos que vai concorrer com B3

Bancos médios dão largada em central de registro de ativos que vai concorrer com B3

Aline Bronzati

26 de maio de 2020 | 05h36

Os bancos médios deram o ponta pé em uma central própria de registro de títulos e ativos, que vai concorrer com a B3, até então única dona deste mercado no País. A CRT4 – Central Eletrônica de Títulos e Ativos – começa a operar a partir desta semana após obter aval do Banco Central. Os primeiros ativos a serem registrados são Certificados de Depósito Bancário (CDBs), cujo estoque na B3 é de mais de R$ 1,2 trilhão, mas a ideia é ir além e contemplar toda a base de títulos relacionados aos bancos.

A central nasce com capital de cerca de R$ 15 milhões, a partir de um projeto da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), que representa 90 instituições financeiras de pequeno e médio porte no País. Com 31 sócios que incluem nomes como Citi, Safra, ABC e BMG, seu objetivo é atender todos os concorrentes do segmento. Cada acionista tem fatia de no máximo, 5,25% como uma forma de não criar um único dono ou um poder de voto diferenciado frente aos demais participantes.

Primeiros registros de ativos começam esta semana

Os primeiros registros começam a ser feitos esta semana. Depois de uma fase de testes, a CRT4 inicia operações com ao menos cinco bancos médios e espera elevar este número para 20 em seu primeiro mês de operação.

O objetivo da central, segundo o presidente do Conselho de Administração da CRT4, Jorge Sant’Anna, é apoiar os bancos médios na redução de custo e também sob o ponto de vista tecnológico. Após três anos de estruturação da plataforma, seu lançamento, diz, é ainda mais relevante diante da pandemia do novo coronavírus, que trouxe pressão adicional em custos para essas instituições.

“A gente está para a B3 assim como o C6 está para o Bradesco. Somos uma plataforma digital, leve, muito ágil, e que vem com uma proposta de redução de custos para o mercado”, diz o presidente do Conselho de Administração da CRT4, Jorge Sant’Anna, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast.

Bancos menores querem custos mais competitivos

Sem revelar o potencial da central – ou sua ambição, ele diz que o objetivo dos bancos médios é fazê-la crescer, com uma proposta igualitária em termos de preços. A intenção não é, segundo Sant’Anna, facilitar grandes volumes de registro de ativos, mas permitir que todas as instituições financeiras operem a plataforma sob os mesmos custos, o que hoje não acontece no mercado.

Apesar disso, garante que o foco da nova central não é ‘preço’. A redução de custos, diz, é apenas a ‘ponta do iceberg’. A CRT4 foi criada, conforme Sant’Anna, para apoiar a transformação digital dos bancos médios no País, que enfrentam desafios ainda maiores frente aos grandes competidores.

No mercado, a expectativa é de que a central atue com preços agressivos, podendo chegar a 50% menos dos atualmente cobrados pela B3, de acordo com fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast. Assim, sua chegada deve adicionar concorrência ao segmento de registro de ativos financeiros. Com a fusão da BM&FBovespa e da Cetip, em 2017, a pouca competição até então existente neste mercado desapareceu. Desde então, todos os registros passaram a ser concentrados na B3.

Central não pretende entrar no mercado de ações

A ideia da CRT4, contudo, não é bater de frente com a Bolsa, mas operar sob medida em relação às necessidades dos bancos médios, digitais e também estrangeiros. Sant’Anna afirma que a nova central não quer nem ouvir falar do mercado de ações, por exemplo. O foco são exclusivamente os ativos financeiros relacionados aos bancos.

“Nossa ambição não é competir com a B3. Podemos competir por uma questão natural. Nosso posicionamento é ser uma casa dos bancos e que seja um habilitador da transformação digital dessas instituições”, diz o presidente do conselho da CRT4.

A nova central já está apta a registrar CDBs e ainda recibos de depósito bancário (RDB) e letras de câmbio (LC), conforme autorização concedida pelo BC, na semana passada. Em breve, a CRT4 espera disponibilizar a mesma funcionalidade para letras de crédito agrícola (LCA) e imobiliário (LCI). Somado, o estoque desses títulos passa de R$ 1,5 trilhão na B3. Em paralelo, a central trabalha junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para passar a atuar também com derivativos.

Assim, a CRT4 quer fazer todo o processo: registro, depósito e liquidação de ativos e títulos financeiros. A expectativa é a de que essa estrutura esteja completa já em 2021.

O executivo de um dos bancos sócios diz que à medida que a central passe a registrar mais ativos, vai criar uma concorrência no mercado e contribuir para a reduzir o custo das instituições financeiras de médio porte. “A ideia é que não dependemos tanto da B3”, afirma, na condição de anonimato.

Notícia publicada no Broadcast no dia 25/05/2020 16:26:30

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