Bancos não arredam o pé e impasse na Febraban sobre manifesto prossegue

Bancos não arredam o pé e impasse na Febraban sobre manifesto prossegue

Altamiro Silva Junior e Cynthia Decloedt

02 de setembro de 2021 | 05h15

Praça dos Três Poderes na capital do País; manifesto cobra paz em Brasília Foto: Dida Sampaio/Estadão

O impasse entre bancos privados e públicos continua na Federação de Bancos Brasileiros (Febraban), apesar da tentativa de entendimento para amenizar o ruído causado pelo manifesto da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), assinado pela entidade dos bancos, que pede harmonia entres os três poderes. Até aqui, a Febraban decidiu seguir com o voto da maioria de seu conselho diretor e manter o apoio ao texto, sem críticas diretas ao governo, mas que cobra paz em Brasília. As instituições públicas têm, em contrapartida, a expectativa de que o manifesto seja arquivado.

O presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade Ribeiro, convocou a reunião na segunda-feira à noite e chamou diretamente bancos privados. Segundo interlocutores, ele teria dito que a conversa foi mantida com os dois lados menos tensos e dogmáticos do que a situação dava a entender. Por isso, a expectativa em Brasília é que haja uma solução para o impasse nos próximos dias, provavelmente após o feriado do dia 7, data em que apoiadores do presidente Jair Bolsonaro prometem manifestações pelo País.

Desembarque

Entre os bancos privados, as posições divergem. Para parte dos banqueiros, é possível haver “mediações” que evitem um cenário de saída dos bancos públicos da Febraban. No entanto, se a federação cumprir sua promessa e mantiver a adesão ao documento, que na verdade já é praticamente público, o desfecho deve ser o desembarque de Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil da entidade.

A Caixa foi uma das instituições fundadoras da federação, enquanto o BB aderiu ao grupo em 1970. No governo Lula, o BB entrou na comissão de campanha salarial da Febraban, ou Fenaban, e os acordos salariais fechados pelos bancos privados passaram a valer para os públicos.

Com isso, diminuíram as tensões em torno de salários e greves para os bancos ligados ao governo. Dessa forma, alguns especialistas entendem que a saída das instituições financeiras públicas da federação pode causar algum barulho nos sindicatos que representam os bancários.

Dentro da Febraban, uma eventual saída de ambos é lamentada, mas o clima é vida que segue. Ambas instituições representam 23% do orçamento da Febraban. Procurados, Caixa e BB não comentaram.  A Febraban esclareceu nesta quinta-feira (02), que a frase “vida que segue” não pode ser atribuída à entidade, que não emitiu qualquer declaração nesse sentido.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 01/09/21 às 18h26.

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