Bancos querem vender até 25% da Elo em IPO na Nasdaq

Bancos querem vender até 25% da Elo em IPO na Nasdaq

Aline Bronzati e Altamiro Silva Júnior

24 de junho de 2021 | 10h43

Bolsa norte-americana Nasdaq é o alvo preferencial para IPO da Elo. Foto: Estadão Conteúdo.

Os bancos sócios da bandeira Elo estudam vender entre 15% e 25% da empresa em sua abertura de capital, que deve ocorrer na Nasdaq, bolsa de empresas de tecnologia nos Estados Unidos. O tamanho da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), esperada para o terceiro trimestre, vai depender das condições de mercado na ocasião. Também enfrentará a concorrência com outra brasileira do setor de pagamentos: o PicPay, da holding da família Batista, a J&F, que também busca investidores para uma captação no exterior.

Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal vislumbram levar a Elo à Nasdaq com avaliação na casa dos US$ 8 bilhões. A alta liquidez no mercado mundial tem estimulado as ofertas de ações e a valorização dos ativos, o que abre espaço para números até maiores.

Na preparação para chegar à Nasdaq, a Elo avança nos trâmites necessários para o IPO. Dentre os processos, está a abertura de uma empresa no exterior. Pela natureza dos sócios – três dos maiores bancos brasileiros -, a burocracia exigida para a venda de ações é maior.

Após semana tensa, bolsas de Nova York voltaram a subir

As bolsas em Nova York têm vivido uma sucessão de recordes históricos, interrompidos na semana passada após o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mostrar abordagem mais dura sobre os rumos da política monetária, sinalizando elevação de juros mais cedo que o esperado. Nesta semana, porém, o humor voltou a melhorar, com os dirigentes da autoridade sinalizando que não há pressa para mudar a estratégia.

“Lá fora, a questão do valuation (avaliação de mercado) é mais volátil. Quanto mais a empresa for ligada à tecnologia, mais o múltiplo tem comparação (e é beneficiado)“, afirma uma fonte próxima aos sócios.

O acesso a uma base de investidores mais especializados, que costumam enxergar mais valor na empresa do que um fundo de pensão ou pessoa física, tem aumentado a tendência de que empresas brasileiras busquem lançar ações em Nova York. PagSeguro e Stone, de maquininhas, são exemplos bem sucedidos dessa abordagem.

PicPay enfrenta questionamentos maiores

Já o PicPay ainda não abriu capital, mas tenta prosseguir com seu IPO enquanto investidores pedem mais informações sobre a empresa, questionada pelo histórico político de seus controladores.

Um dos passos fundamentais para a abertura de capital foi a escolha de um novo presidente para a Elo. Vindo da consultoria Accenture, Giancarlo Greco desembarcou na companhia há pouco mais de um mês, como antecipou à época o Broadcast. Preparar a bandeira para o IPO é sua principal função no cargo.

Outra novidade na Elo, prevista para as próximas semanas, é a chegada de Marcio Hamilton, presidente da BB Seguridade, conforme fontes. Com a troca de comando no Banco do Brasil, a alta cúpula da instituição e de empresas coligadas também sofreram mudanças. Nessa dança das cadeiras, Hamilton foi indicado à Elo pelo BB.

Em paralelo, a Elo já selecionou o sindicato que vai assessorá-la no IPO. Além dos bancos de investimento de seus sócios, escalou os estrangeiros Morgan Stanley, Goldman Sachs e JPMorgan. Criada em 2011 para competir com as rivais internacionais Visa e Mastercard, a bandeira tem mais de 180 milhões de cartões emitidos.

Procurados, os sócios da Elo não se manifestaram. A bandeira também não comentou.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 23/06/2021, às 16:10:40.

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