Bancos se reúnem com Eletrobras sobre privatização, que deve seguir modelo da BR

Bancos se reúnem com Eletrobras sobre privatização, que deve seguir modelo da BR

Coluna do Broadcast

04 de agosto de 2019 | 10h11

O modelo e estratégia para a capitalização da Eletrobras ainda não está definido, mas os bancos de investimento já começaram a se reunir com a companhia, presidida por Wilson Ferreira Jr., para fazer sugestões e dar ideias sobre formas de condução da operação. Na prática, a companhia mantém conversas com os bancos há praticamente dois anos, quando o assunto da privatização da elétrica começou a ser tratado, mas agora o tema ganhou tração. As provocações até aqui, contudo, não têm partido da companhia, o que é esperado para acontecer em breve. A União controla a Eletrobras com 51% das ações ordinárias, que são aquelas com direito a voto. Mas ainda há dúvidas sobre uma oferta primária diretamente da companhia, com a emissão de novas ações, ou a abertura de capital de uma nova empresa, fruto de uma cisão de ativos, já que algumas das empresas hoje detidas pela Eletrobras devem por lei permanecer públicas, caso de Itaipu e da Eletronuclear, o que tem estado na mesa de discussões. Seja como for, a ideia é que a União tenha sua participação diluída, deixando de ter o controle. Na mira está a oferta da BR Distribuidora, cujo controle foi vendido na semana passada no mercado em uma oferta subsequente (follow on) e que criou um novo modelo de negócios, na qual a empresa tem capital pulverizado na Bolsa, mas com uma estatal como sócio de maior peso. Procurada, a Eletrobras não comentou.

Hot. Entre gestores, a percepção, desde já, é de que haverá interesse na oferta bilionária da companhia, diante do pano de fundo do elevado interesse dos investidores no setor elétrico, que atraiu cerca de R$ 10 bilhões em investimentos em três ofertas – Neoenergia, CPFL Energia e Light, em um prazo de um mês.Case. Na BR Distribuidora, a venda das ações em oferta na bolsa foi secundária, ou seja, a Petrobras se desfez de sua participação e embolsou mais de R$ 9 bilhões com a operação ao diminuir sua fatia para cerca de 37%. Para essa privatização realizada na Bolsa, a BR teve antes que alterar seu estatuto em assembleia de acionistas, para incorporar a mudança. Não precisou, ainda, de aprovação do Congresso, o que será necessário no caso da Eletrobras.

Dada a largada. O presidente Jair Bolsonaro já autorizou o aprofundamento de estudos para realização da desestatização da companhia.//com Luciana Collett

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