Bancos sócios da bandeira Elo iniciam discussões para possível IPO

Bancos sócios da bandeira Elo iniciam discussões para possível IPO

Aline Bronzati

04 de agosto de 2020 | 05h00

Cartão da bandeira Elo, detida por Bradesco, Caixa e Banco do Brasil. Crédito da foto: Aline Bronzati / Agência Estado

Cartão da bandeira Elo, detida por Bradesco, Caixa e Banco do Brasil. Crédito da foto: Aline Bronzati / Agência Estado

Os bancos sócios da bandeira de cartões Elo deram largada nas discussões para uma eventual oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) do negócio. Lançada em 2011 como uma alternativa às rivais internacionais Visa e Mastercard, a empresa é resultado de uma sociedade entre Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. A possibilidade de listá-la na Bolsa veio a público no início do ano. À época, os acionistas defendiam o amadurecimento do negócio. Agora, o assunto andou com o empurrão do pagamento do auxílio emergencial, que impulsionou a plataforma digital na qual a Caixa tem como parceira a Elo. Mais de 65 milhões de brasileiros recebem o benefício. O debate sobre a oferta inicial é puxado pela própria Caixa, mas o Bradesco, que realmente importa, já teria sinalizado algum tipo de concordância – ainda que não tenha o hábito de vender seus negócios. O BB também acha possível a operação.

Quem quer. A real interessada é a Caixa, debruçada em uma agenda de desinvestimentos. Um eventual IPO da Elo pode ainda pavimentar o caminho para outra abertura de capital, a de sua subsidiária de meios de pagamentos, a Caixa Cartões. Além disso, a bandeira carrega maiores múltiplos frente a bancos e empresas de maquininhas, uma vez que é o último ‘elo’ da cadeia em caso de inadimplência. É só olhar para as concorrentes Visa e Mastercard.

Quem toca a banda. Apesar de o trio de bancos ser dono da Elo, os acionistas têm pesos diferentes. A bandeira é controlada por uma holding – a Elopar – que tem o Bradesco, com 50,01% do capital, e o BB, com 49,99%, como sócios. Por sua vez, a EloPar detém 56,969% da Elo, enquanto o Bradesco possui 6,142% e a Caixa 36,889%. Ou seja, está nas mãos do Bradesco, na condição de acionista majoritário, bater o martelo quanto a um eventual IPO.

Antes disso. Para que a oferta vá adiante, porém, são necessárias todas as aprovações nos três bancos sócios. A depender de estudos e do rito obrigatório, poderia ocorrer ainda este ano. A Elo tem 132 milhões de cartões emitidos e uma base de mais de 30 emissores.

Com a palavra. Procurados, Bradesco, BB e Caixa não se manifestaram a respeito. A EloPar não comentou. Já a bandeira Elo “esclarece que não tem informações a respeito do assunto”.

Contato: colunabroadcast@estadao.com

 

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