Bancos sondam mercado para venda de ações do BNDES em Petrobrás, Vale, Klabin e Suzano

Bancos sondam mercado para venda de ações do BNDES em Petrobrás, Vale, Klabin e Suzano

Fernanda Guimarães

24 de julho de 2020 | 05h00

Desde a semana passada, gestores de fundos e grandes investidores começaram a receber ligações de executivos de diversos bancos de investimento. O motivo era uma sondagem sobre o apetite por ações detidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mais especificamente: Petrobras, Vale, Suzano e Klabin. A ideia seria vender as ações em bloco, por meio de leilão em Bolsa. O BNDES ensaia voltar a seu programa de enxugamento de sua carteira de ações, que foi interrompido de forma abrupta com a pandemia, desde que o Ibovespa voltou ao patamar acima de 100 mil pontos. Não é a primeira vez que os bancos fazem esse tipo de sondagem junto ao mercado, mas desta vez a iniciativa teria partido do próprio banco de fomento. Além disso, existe a percepção de que o mercado poderia absorver essas ações diante da enorme liquidez e ambiente de juros baixíssimos.

A leitura do mercado é que a venda em bloco das ações detidas pelo BNDES em Klabin e Suzano é viável. O volume financeiro seria da ordem de R$ 2 bilhões, juntando as duas empresas. No entanto, há certo ceticismo sobre a oferta envolvendo as ações da Petrobras, que soma algo em torno de R$ 20 bilhões.O BNDES já fez neste ano uma oferta pública para a venda de ações da petroleira. Colocou no caixa R$ 22 bilhões e irrigou o mercado com ações da estatal.

Venda de ações da Vale pode funcionar

Para a venda de Vale em Bolsa, seria necessário algo em torno de R$ 12 bilhões. Também há certo ceticismo, mas a avaliação é de que se houver reuniões da administração da empresa com o mercado, poderá haver sucesso.

No fim do ano passado, o BNDES vendeu sua participação na empresa de carnes Marfrig. Antes da pandemia, a instituição também planejava sair da JBS, uma transação de mais de R$ 15 bilhões. No total, o BNDES tem em sua carteira quase 30 empresas de capital aberto.

Apesar de a venda em bloco ser um formato muito mais célere existe a percepção, nos bastidores, de que para a venda, de que uma oferta pública provê mais transparência. É uma maneira, assim, de mitigar riscos de questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU). Procurado, o BNDES não comentou.

 

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Siga a @colunadobroad no Twitter

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.