Bandeira de cartões Elo negocia compra da sua marca e prepara oferta de ações no exterior

Bandeira de cartões Elo negocia compra da sua marca e prepara oferta de ações no exterior

Aline Bronzati

02 de abril de 2021 | 05h00

Bolsa norte-americana Nasdaq, alvo preferencial para IPO da Elo. Foto: Estadão Conteúdo.

A bandeira de cartões Elo vai adquirir a própria marca, hoje pertencente à Elopar, holding que controla a empresa, por cerca de R$ 400 milhões, e terá sua estrutura acionária revista, apurou o Broadcast. Os movimentos desatam parte dos nós entre os sócios e abrem caminho para uma abertura de capital. A intenção, dizem fontes, é listar a Elo no exterior, possivelmente na Nasdaq, bolsa de empresas de tecnologia, em busca de um valor mais robusto para o ativo.

Depois de meses de discussões, os acionistas da Elo (Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, além da holding que a controla) tiveram uma reunião ontem (31) para definir questões sensíveis. Os principais pontos que atravancavam a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) já teriam sido resolvidos, conforme antecipou o Broadcast. Resta, ainda, bater o martelo quanto ao novo CEO.

Além da marca, os sócios também teriam debatido outros pontos como a abertura de capital no exterior, e ainda o controle da Elo, hoje detido pela Elopar. O segundo ponto é parte do rebalanceamento das fatias dos bancos acionistas, um dos assuntos mais espinhosos e que opunha os sócios até então, revelado pelo Broadcast.

Hoje, a bandeira é controlada pela Elopar, que tem o Bradesco, com 50,01% do capital, e o BB, com 49,99%, como sócios. Por sua vez, a holding detém 56,96% da Elo, enquanto o Bradesco tem outros 6,14%, e a Caixa possui uma participação de 36,88%.

Na nova estrutura acionária, as fatias de cada sócio serão recalculadas considerando o volume de cartões emitidos pelos bancos nos últimos quatro anos. Como consequência, a Caixa ganha participação, elevando sua fatia de cerca de 37% para 41,5%. Já o Bradesco terá 30,5% ao todo, e o BB, pouco mais de 28%, conforme duas fontes confirmaram ao Broadcast. Os dois últimos ficarão com fatias menores do que as que possuem hoje, levando em conta a fatia detida por meio da holding Elopar.

Há uma discussão aberta quanto ao controle, com a possibilidade de ambos os bancos passarem a deter participações diretas na Elo. Tal passo, porém, ficaria apenas para depois do IPO, afirma uma fonte. Até porque agora isso não seria possível, explica outra, uma vez que dois dos sócios da Elo são bancos públicos. Assim, o movimento poderia “estatizar” a empresa.

Em contrapartida ao rebalanceamento das fatias, os sócios chegaram a um consenso para que a Elo compre a própria marca, antes detida pela Elopar. Nessa transação, Bradesco e Banco do Brasil são beneficiados, recebendo recursos por meio da holding. De quebra, compensam parte da perda de participação por conta da revisão acionária, em que a Caixa levou a melhor diante do reforço da sua base de cartões Elo nos últimos anos, além do empurrão com o pagamento do auxílio emergencial, no ano passado.

Outro elo

Um terceiro ponto que foi resolvido ontem, dizem fontes, foi em relação à prestação de serviços da Cielo para a Elo. No passado, a adquirente desenvolveu uma plataforma de transações para a bandeira, que desde então pagava por uma espécie de licenciamento, mas não pela criação da tecnologia. Isso teria gerado uma grande discussão nos últimos anos, e que chegou ao fim.

Nesse sentido, a própria Cielo anunciou ainda ontem que receberá R$ 380 milhões pela cessão da plataforma. Uma fonte diz que esse era, de fato, um “grande problema”, e que gerou uma discussão negocial “enorme” entre Cielo e Elo, arrastando-se, pelo menos, durante os últimos cinco anos.

De acordo com fontes, ainda há outros ajustes para que a Elo siga rumo ao IPO, mas o caminho já está mais livre. Um dos pontos em aberto é definir um novo CEO para a bandeira. O tema foi debatido ontem, mas ainda não há uma conclusão. A presidência da Elo está vaga desde o início de fevereiro, após o até então responsável pela cadeira, Eduardo Chedid, ter ido para o PicPay, da holding J&F. Uma empresa de headhunter está encarregada da busca de seu substituto.

A expectativa é de que a escolha do novo CEO ocorra ainda neste mês, segundo fontes. Na sequência, uma assembleia de acionistas estaria agendada para o fim de abril, para chancelar todas as questões debatidas entre os sócios, incluindo o nome do futuro presidente.

Com o avanço das discussões, porém, uma janela para o IPO já começa a se mostrar mais aberta e, segundo uma fonte, é possível que ele ocorra no terceiro trimestre deste ano. Os sócios já estão, inclusive, propensos a formar o sindicato de assessores da operação, que deve contar com os braços de investimento dos próprios acionistas.

Procurados, Caixa, BB e Bradesco não comentaram. Elo e Elopar também não se manifestaram.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 1/04 às 15h08.

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