BC vai aprovar aquisição de apenas 49,9% da XP pelo Itaú Unibanco

BC vai aprovar aquisição de apenas 49,9% da XP pelo Itaú Unibanco

Economia & Negócios

13 Julho 2018 | 04h00

A polêmica em torno da aquisição de parte da XP Investimentos pelo Itaú Unibanco se aproxima do fim. A expectativa é de que o Banco Central dê aval para o negócio até o final deste mês. O desenho final da transação, contudo, não deve sair conforme o inicialmente acertado pelas instituições no ano passado. O BC deve aprovar apenas a aquisição de uma fatia de 49,9% da XP pelo Itaú. Assim, as instituições terão de refazer o contrato já desenhado. Isso porque o acordo anterior previa a possibilidade de o banco passar a deter o controle e elevar sua participação na corretora para 75% a partir de 2022, podendo chegar aos 100% em 2024. Pela fatia de quase 50%, o Itaú desembolsou R$ 6,3 bilhões e há quem diga que a impossibilidade de levar todo o negócio desagrada à instituição. No passado, exigências de reguladores jogaram água fria em um negócio que o banco desenhou com a MasterCard para um novo arranjo de pagamentos.

Ecoou. O escrutínio sobre a operação tem vários motivos. É a primeira transação que ocorre após a assinatura de um memorando de entendimentos entre o Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para operações de compras e fusões no setor bancário. Surpreendentemente, o órgão antitruste aprovou a operação antes mesmo do próprio BC. Mas dois de seus conselheiros fizeram críticas bastante duras sobre a concentração de poder do Itaú no futuro, o que fez eco no mercado. Tanto é que foi a primeira vez que o BC considerou fatores de concorrência para dar seu aval para uma transação de compra no segmento.

Parrudo. Afinal, trata-se de um negócio envolvendo o maior banco privado da América Latina e a maior plataforma de investimento independente. A XP foi pioneira no modelo de desbancarização, aumentando a concorrência no sistema financeiro brasileiro que, na contramão, se concentrou ainda mais nos últimos anos. Aliás, fomentar a competitividade do setor é uma das bandeiras mais fortes da gestão de Ilan Goldfajn à frente do Banco Central. Procurados, Itaú, XP e BC não comentaram o assunto.

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