BMG tem R$ 1,3 bi de demanda no piso do IPO e prefere desistir da oferta a baixar preço

BMG tem R$ 1,3 bi de demanda no piso do IPO e prefere desistir da oferta a baixar preço

Coluna do Broadcast

15 de dezembro de 2018 | 13h52

O banco mineiro BMG, da família Pentagna Guimarães, tem até o momento demanda de cerca de R$ 1,3 bilhão para a sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), que será precificada na próxima segunda-feira, dia 17, mas não está disposto a baixar R$ 1,00 da faixa indicativa, de R$ 11 a R$ 14, para atrair mais investidores, segundo apurou a Coluna do Broadcast. A maior parte das ordens é para o piso do intervalo sugerido, conforme fontes de mercado, e, se continuar assim, a instituição estaria disposta a levar a operação adiante caso consiga o restante. Do contrário, prefere adiar seu IPO.

Como tradicionalmente a maior parte dos investidores lança ordens próximo à precificação da oferta, o BMG ainda deve aguardar a segunda-feira para bater o martelo se vai ou não em frente com a oferta. De acordo com fontes, alguns coordenadores da operação têm investidores que ainda não se manifestaram e por isso a indefinição. Participam da oferta os bancos JPMorgan, Itaú BBA, Brasil Plural, XP Investimentos, Citi e BB Investimentos.

Para seguir com o IPO, o BMG teria de conseguir ainda cerca de meio bilhão de reais em ordens, considerando o piso da faixa indicativa e sem levar em conta o lote suplementar. É o mínimo necessário para emplacar a oferta na parte inferior do intervalo sugerido. Com o lote suplementar, seriam necessários mais R$ 700 milhões, aproximadamente, em demanda.

A Coluna do Broadcast antecipou, no dia 22 de novembro, a possibilidade de o BMG e a empresa de tecnologia Tivit, que também buscava lançar sua oferta em dezembro e confirmou a decisão de adiá-la, deixarem seus IPOs para o início de 2019 por causa da seletividade dos investidores. Uma fonte lembra, na condição de anonimato, que o banco mineiro tem janela até o fim de janeiro para tentar precificar sua oferta, considerando seus resultados do terceiro trimestre.

No BMG, de acordo com fontes, a leitura é de que não há pressa em seguir com o IPO neste momento e que a decisão de não baixar o preço do intervalo sugerido, como aguardam alguns investidores, já está tomada. Isso porque o mineiro ainda tem espaço para avançar com o seu banco digital e emplacar a oferta em um ambiente mais favorável, conseguindo o preço que considera justo pelo ativo.

Pesa, no cenário atual, o ambiente externo e a troca de governo no Brasil. Ontem, o presidente do Bradesco, Octávio de Lazari, afirmou que a janela para captações esse ano já teria se fechado, mas que espera um volume maior de IPOs no próximo ano.

O BMG é líder no mercado de cartão de crédito consignado, com mais de 65% de market share, e ocupa a posição de sexto maior emissor de cartões de crédito entre as instituições financeiras. O banco, que no passado teve uma joint venture em crédito consignado com o Itaú Unibanco, foi fundado há quase 90 anos por Antônio Mourão Guimarães. Procurado, o BMG não comentou. (Aline Bronzati e Fernanda Guimarães)

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